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Entrevista
16/08/2011 04h33

O homem das quatro gestões do Sinpa

 

José Gianesi Sobrinho continua à frente do Sindicato que, segundo ele, tem um consumo aparente estimado de US$ 1,2 bilhões por ano

 

Após curso secundário entre os colégios São Paulo e Caetano de Campos, José Gianesi Sobrinho se formou como engenheiro industrial em 1957, na modalidade Mecânica pela tradicional Faculdade de Engenharia Industrial, FEI. Como profissional teve uma carreira de quase 30 anos na Mapri, atual Acument. Também trabalhou na General Motors, tendo passagens pela Torque (pontes rolantes) e Sabó até a fundação da Nylok do Brasil, empresa que preside simultaneamente com o Sindicato de Parafusos, Porcas, Rebites e Similares no Estado de São Paulo, Sinpa, entidade em que está iniciando sua quarta gestão.

Segundo Gianesi, o setor parafuseiro tem um consumo aparente estimado em US$ 1,2 bilhões por ano.


Revista do Parafuso (RP) – Qual o número atual entre associados e sindicalizados do Sinpa?
José Gianesi Sobrinho – Temos 51 associados e mais de 450 empresas sindicalizadas, estas, por sua vez, provenientes do estado de São Paulo. Portanto, podemos dizer que mais de quatro centenas de empresas (de acordo com suas respectivas classificações no Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE) produzem elementos destinados aos processos de fixação.


RP – Sendo a sindicalização obrigatória, o que estimula empresas fazerem parte, também, do quadro de associados. Quais são suas  vantagens?
Gianesi – Uma delas é a representatividade junto aos órgãos governamentais e outros setores que participam desta cadeia produtiva, já que é muito mais indicado fazer isso coletivamente. Obviamente, o sindicato deve ter a sensibilidade para defender os pleitos comuns a todos seus associados.
 

RP - Nossas fabricantes competem em condições iguais com as estrangeiras?
Gianesi – Não! A fabricação de elementos de fixação é atividade de matéria-prima intensiva (aço) e capital intensivo. Como todos sabem, temos importações irregulares; alta carga tributária para produzir, algo bem menor no exterior, sobretudo na Ásia; alto custo financeiro, ou seja, pagamos mais caro pelo dinheiro, além do custo social proveniente de encargos trabalhistas.
 

RP - O que foi e o está sendo feito pela entidade na direção dos interesses do setor?
Gianesi – Com o intenso trabalho feito junto às aciarias e o governo, o Sinpa conseguiu sensibilizá-los que importações de aço ocorrem sob a forma de elementos de fixação. Também conscientizamos o governo que importados chegam no país com  classificação inadequada, contendo ilícitos como subfaturamento, que além de causar desorganização do mercado, lesa a arrecadação de impostos.

Com este trabalho conjunto o diálogo ficou mais técnico (algo ainda a melhorar). Sensibilizado, o governo tem compreendido nossas dificuldades ao justificar o antidumping, onde adotou algumas medidas provisórias como licenças prévias de importação, preço mínimo de referência, destaques da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e adoção da Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatístico (NVE). Todas estas medidas, tidas como provisórias, tiveram e tem razoável poder inibidor contra a ilegalidade.


RP – É válido abrir uma fábrica dessas no Brasil de hoje?
Gianesi – Sim. Eu sou o primeiro a acreditar e a incentivar, haja vista não só a expansão da produção destinada à indústria automobilística, como para outros setores da economia. O mais importante de tudo é que o país que pretende ser desenvolvido tem que ter um parque industrial pujante, sendo a indústria de fixação um elemento essencial.
 

RP – Enquanto o Sinpa busca defender os interesses dos fabricantes locais em relação às importações, parte delas são importadoras. Qual sua opinião?
Gianesi – Importar é válido desde que isso ocorra dentro das regulamentações governamentais. Quanto aos fabricantes que importam,  isso ocorre em razão deles encontrarem uma competitividade desigual em determinados produtos. Assim, para se manterem no mercado, são induzidos a agir desta forma, porém em caráter provisório, até o momento em que retorne a viabilidade comercial de produzir esses itens no país, até porque o DNA deles é de fabricação, não de importação. Portanto, é compreensível e aceitável.
 

RP – Quanto corresponde uma matéria-prima como o aço sobre o valor total de um fixador?
Gianesi – É uma resposta difícil. No caso de alguns elementos de fixação existem equipamentos, por exemplo, onde a matéria-prima [aço] entra por um lado saindo pelo outro o produto praticamente pronto. Em outros casos há produtos que, além do processo de estampagem, passam por muitas operações complementares até sua finalização. É obvio que a influência da matéria-prima é variável e, a grosso modo, podemos dizer que sua participação gira em torno de 35 a 50% do custo final.

 

RP – Como está essa relação, já que possuímos somente dois fornecedores de aço no país?
Gianesi – Trata-se de uma relação delicada o fato de termos apenas dois fornecedores, ao contrário de outros países que têm mais opções. Porém, temos evoluído nessa área, onde demonstramos às aciarias que ao importar elemento de fixação, estamos deixando de consumir o aço brasileiro.
 

RP – Temos em vista o surgimento de novos fornecedores para este segmento?
Gianesi – Sim. Temos notícias que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está entrando no setor de aços longos. Ainda não tenho informações sobre quais produtos eles farão, mas, se disporem a fabricar aços CHQ (Cold Heading Quality) será muito bom para todos.

RP – Temos alguma nova indústria parafuseira em vias de entrar no Brasil?
Gianesi – Como nosso país é a chamada “bola da vez”, alguns fabricantes globais têm manifestado interesse de virem para o Brasil. Para o setor não temos nenhuma restrição, desde que seja para produzir aqui.
 

RP – O que deve ser feito para melhorar este mercado, tanto por parte dos fabricantes quanto do governo?
Gianesi – Considerando que a indústria automotiva é um dos mais importantes segmentos para qual fornecemos, ao incentivar a entrada de novas montadoras, o governo pode exigir delas maior utilização de componentes produzidos no Brasil. Em caráter geral, deve-se tomar providencias para retomar a competitividade da indústria, realizando as reformas estruturais como a tributária e trabalhista.

Em paralelo, as fabricantes devem buscar melhorias, investindo e se modernizando para se colocar no mesmo nível para atender essa demanda.

 

J. Gianesi Sobrinho
sinpa@uol.com.br

 

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