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Artigos - Ronaldo Fávero
14/03/2013 10h53

Artigos

 

Como fornecer para as empresas de Petróleo?

 

Artigo do especialista Ronaldo de Fávero detalha o plano de ação necessário para atuar nessa cadeia de fornecimento
 
 
Pré-sal
 
Tendo em vista a frequente divulgação dos números envolvendo o potencial de exploração de petróleo e gás natural na camada do Pré-sal, no Brasil, muitas empresas despertaram para empreender nestas áreas.
 
Mas o que é necessário para a empresa estar apta a entrar no seleto rol de fornecedores das empresas de “Oil and Gas” ? Acredito que qualidade real e potencial.
 
A qualidade real pode ser atestada através de histórico de sucesso no fornecimento em outras áreas correlatas (automobilística/aeronáutica/petroquímica). Estes campos possuem requisitos bastante exigentes de qualidade, devido às possíveis consequências de uma não- conformidade ? defeito ? falha.
 
A qualidade potencial pode ser comprovada através de auditorias:
 
• de primeira parte (autoavaliação);
• de segunda parte (de cliente) ou;
• de terceira parte (órgão certificador);
• e, ainda, de certificações, onde se comprova o potencial em atender às especificações de sistema de gestão e de produto/processo.
 
Avaliação de fornecedores
 
Como se “qualificar” para o fornecimento?
Tomemos como exemplo um fabricante de fixadores que queira atuar na cadeia de fornecimento (subsea) da Petrobrás. Muito possivelmente este fabricante terá a oportunidade de fornecer indiretamente para a Petrobrás através de seus fornecedores de equipamentos “tier 1” (nível 1). Caso isto ocorra, este fornecedor é considerado como “tier 2” (nível 2) .
 
As empresas “tier 1” devem possuir, obrigatoriamente, o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC).
 
As empresas “tier 2” não precisariam possuir o CRCC, mas a sua exigência tornou-se um padrão no mercado.
 
Na busca pelo CRCC, através do Petronec (na Internet, no portal da Petrobrás), o sistema solicita evidências de certificações, capacitações, etc. Neste sentido, a certificação ISO 9001 acaba sendo obrigatória.
 
Cada empresa “tier 1” possui um procedimento próprio para avaliação e seleção de fornecedores. Em geral, estas empresas não abrem mão de auditar os fornecedores potenciais, mesmo quando estes são certificados ISO 9001.
 
Plano de ação
 
É pouco frequente uma empresa ser aprovada sem a necessidade de um plano de ação.
 
 
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O plano, normalmente, deve contemplar:
 
Causa raiz / Ação corretiva / Prazo / Responsável / Implementação (%, Data, Responsável pela verificação, Evidências) / Eficácia (Método a ser utilizado, Data, Responsável pela verificação, Evidências, Eficácia ou Ineficácia).
 
 
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Após a solução dos problemas identificados na auditoria, pode ser realizada nova auditoria destes pontos pelo potencial comprador ou o envio ao mesmo de evidências da implementação das ações.
 
Além da ISO 9001
 
Cada cliente possui o seu check list. A Petrobrás desenvolveu, por exemplo, o PGQMSA (Programa de Garantia da Qualidade de Materiais e Serviços Associados) para fixadores de alta resistência para utilização submarina, com dezenas de requisitos que vão além da ISO 9001.
 
Uma maneira de atender a vários requisitos presentes nos check lists dos potenciais compradores é implementar e certificar o sistema de gestão conforme a ISO/TS 29001.
 
ISO/TS 29001
 
Desenvolvida pela API (American Petroleum Institute) e pela ISO, está na 3ª edição (2010). Aplicabilidade: empresas que forneçam para os segmentos:
 
• Petrolífero
• Gás natural
• Petroquímico
 
Não é uma norma, é uma Especificação Técnica (Technical Specification).
 
Outros segmentos possuem suas próprias TS, como o automobilístico com a ISO/TS 16949, amplamente utilizada.
 
O objetivo de se desenvolver uma TS, por um grupo de empresas que representam um determinado mercado comprador, é o de estabelecer requisitos específicos, complementares aos da norma base (usualmente a ISO 9001).
 
Motivos para se implementar e buscar a certificação conforme ISO/TS 29001:
 
• Melhoria do sistema de gestão (mais robusto)
• Maior confiabilidade
• Ganho de imagem
 
Sua adesão/aplicação é voluntária. É melhor implementar por iniciativa própria, sem pressão por prazos externos.
Poucas empresas possuem a ISO/TS 29001 no Brasil (vide o diretório mundial API, disponível na Internet. Cada Órgão Certificador possui seu próprio diretório de empresas certificadas). Esta certificação pode ser considerada como um diferencial em relação à concorrência.
 
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Principais requisitos da ISO/TS 29001:                                                    
 
Método de controle (que pode ser um procedimento documentado) para:
 
Vendas/Engenharia/Qualidade
 
• Análise crítica de contrato.
• Tradução dos requisitos do produto fornecido de fontes externas.
 
Compras/Qualidade
 
• Aquisição.
• Verificação do produto adquirido.
 
Produção
• Controle de produção e atividades de serviço.
• Monitoramento e medição das características do produto.
• Identificação e rastreabilidade do produto.
• Identificação da situação do produto.
 
Logística
 
• Preservação do produto.
• Verificação, armazenamento, manutenção e controle da propriedade do cliente.
 
Qualidade
 
• Controle, calibração e manutenção dos equipa- mentos de monitoramento e medição
 
Aplicável para todas as áreas
(não só para Recursos Humanos)
 
• Treinamento.
• Identificação e uso de técnicas para análise dos dados.
 
Outros requisitos:
 
• Retenção de registros: período mínimo de 05 anos.
• Frequência mínima para as auditorias internas (do Sistema de Gestão) e para as análises críticas pela Administração.
• Treinamento: requisitos relacionados às conscientizações, treinamento “on the job” (no local de trabalho), para trabalho novo ou modificado.
• Aquisição: validação de processos terceirizados.
• Preservação: avaliação de estoques e gerenciamento de inventário.
• Calibração: pré-calibração de instrumentos.
• Não-conformidades e ações corretivas: a empresa deve definir tempos para as respostas.
 
Etapas típicas para a certificação:
 
1) Auditoria de diagnóstico conforme a ISO/TS 29001.
2) Identificação dos “Gaps” (requisitos não atendidos).
3) Elaboração de planos de ação e de cronograma.
4) Implementação (adequação dos procedimentos, treinamentos dos usuários, auditoria interna, análise crítica pela Administração).
5) Auditoria pelo Órgão Certificador.
 
  
Produto/processo
 
Com o objetivo de se adquirir confiança na aquisição de lotes maiores, a fabricação de amostras de produto ou de um lote piloto pode ser acordada entre o comprador e o fornecedor.
Aqui vale o conceito de capabilidade de processo. Ou o processo é capaz em atender às especificações ou deve ser melhorado.
 
São fundamentais:
 
• A análise crítica de contrato (para se compreender os requisitos/tolerâncias/ensaios e testes especificados);
• E o planejamento do processo e do produto (“tradução” dos requisitos na linguagem da empresa, através da documentação num formato no qual as pessoas estão habituadas a utilizar e que seja de fácil compreensão).
 
Uma certificação de produto/processo é muito interessante para a confirmação da capabilidade e consequente demonstração aos clientes potenciais, bem como do maior conhecimento, pela equipe interna, das dificuldades em se produzir de acordo com a especificação contratada. Como isto funciona?
 
Certificação de produto/processo
 
Iniciativa voluntária. O objetivo principal é o de demonstrar a competência da empresa em atender uma especificação/norma utilizada contratualmente.
 
Etapas: ____________________________________________________________________
 
1) Identifica-se uma especificação/norma de referência (exemplo: Especificação Técnica (ET) Petrobrás para fixadores – aplicação submarina).
2) Elabora-se um PIT (Plano de Inspeção e Testes) com informações do produto e do processo de fabricação, incluindo medições, ensaios e testes.
3) Contratação de Órgão Certificador.
4) Apresentação do PIT ao Órgão Certificador:
a. Comparação da especificação técnica de referência com o PIT
i. OK? Aprovação do PIT
ii. Não OK? Indicação da necessidade de correção. Repetir etapa (4a).
5) Execução das etapas do processo, com testemunho do Órgão Certificador:
a. Comparação das etapas/parâmetros de processo com os estabelecidos no PIT
i. OK? Qualificação do processo
ii. Não OK? Indicação da necessidade de correção e ação corretiva. Repetir a etapa (5a).
6) Execução dos ensaios e testes, com testemunho do Órgão Certificador:
a. Comparação dos ensaios e testes (e dos resultados obtidos) com os estabelecidos no PIT
i. OK? Qualificação do produto (e do processo – anteriormente)
ii. Não OK? Indicação da necessidade de correção e ação corretiva. Repetir a etapa (6a).
 
Outras certificações
 
Outras certificações são interessantes (além das já citadas) como:
• ISO 14001 - Gestão ambiental
• OSHAS 18001 - Gestão de saúde e segurança
• SA 8000 - Responsabilidade social
Ao implementar os requisitos de normas de gestão e de especificações, as empresas se tornam mais competentes. Todas as partes interessadas da empresa ganham com isto.
 
Ronaldo de Fávero

Consultor em em gestão empresarial, professor de pós-graduação pela FEI, pós-graduado em Qualidade, especialização em Meio-ambiente, graduado em Matemática, MBA em RH, pós-graduando em Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural, técnico em Mecânica.

ronaldo.favero@terra.com.br

 

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