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Entrevista
27/11/2016 09h36

         Entrevista

 

Anders Karlsson, presidente da European Industrial Fasteners Institute

 

Presidente da associação da indústria europeia de fixadores diz ser contra subsídios por não criarem empresas saudáveis

 

Marco A. Guerritore, editor chefe da revista Italian Fasteners, entrevistou o dirigente máximo da entidade que atua em prol das indústrias de fixadores no velho continente, conteúdo gentilmente concedido para a Revista do Parafuso, disponível a seguir. Infelizmente, os efeitos negativos da crise econômica, iniciada em 2007 no mercado imobiliário norte-americano e também conhecida como subprime crisis, parecem ainda não estar totalmente eliminados. De fato, entre 2010 e 2011 tivemos alguns sinais de recuperação em algumas partes do mundo, especialmente nos Brics, grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Mesmo assim, todas as expectativas positivas vêm se confrontando com circunstâncias imprevisíveis, como a crise no setor de matérias-primas e, acima de tudo, o colapso dos preços do petróleo, que têm depreciado todas as tendências de crescimento.

Assim, as reais esperanças de alguns dos Brics se converteram em amargas decepções. As causas desta sensação geral de incerteza que hoje afeta a economia mundial são muitas. Primeiro de tudo, a enorme dívida global em dólares, que se encontra na enorme quantidade de produtos derivados, motivo desta séria preocupação. No entanto, devemos ir em frente e encontrar meios para alcançarmos o crescimento, único meio de se criar novos postos de trabalho, além de afrouxar tensões sociais e defender a paz global. Se quisermos permanecer no mercado devemos ser competitivos e inovadores, mas bem organizados, tanto do ponto de vista corporativo quanto associativo.

Atualmente, os profissionais europeus do setor que produz parafusos e similares têm que enfrentar com grande empenho a sempre crescente - mas nem sempre justa - concorrência do resto do mundo. Para isso, eles contam com a eficiência de sua associação representativa. Essa peculiaridade nos leva a compreender a importância, além das dificuldades, na atuação da European Industrial Fasteners Institute - EIFI, entidade que representa os interesses das indústrias de fixadores.

Desde maio de 2009, Anders Karlsson desempenha seu papel de guardião do setor na condição de presidente do EIFI, gerindo com imparcialidade e competência. Karlsson é dono de uma longa e consolidada trajetória neste setor, acumulando atualmente o cargo de vice-presidente sênior de Marketing e Vendas da Bulten AB, a maior fabricante sueca de fixadores. Além disso, ele preside a unidade Bulten na Polônia, gerencia o departamento de Marketing na Alemanha e na Europa central.

Nesta entrevista, questionamos ele sobre as conjunturas que impactam os fabricantes locais no mercado europeu.

Como a atuação da EIFI está atualmente estruturada?

Nossa estrutura inclui quatro grandes grupos de produtos: automotivo, inox, aeroespacial e mercado geral. Além disso, temos um número de grupos ad hoc (para essas finalidades) estabelecidos de tempos em tempos para atuar em diferentes frentes em que nossos membros estão interessados. Uma vez finalizados, os ad hoc desaparecem.

Que papel a entidade deveria desempenhar neste ambiente fortemente globalizado?

O papel institucional do EIFI é ser o player europeu neste jogo, a organização representativa dos fabricantes, especialmente em Bruxelas, na Bélgica, antes das diferentes organizações da União Europeia (UE). No contexto global não desempenhamos um papel específico, mas atuamos para defender nossos fabricantes, bem como promovê-los. Nossa atuação aponta para que o mundo político trate os nossos associados com maior atenção e respeito.

A crise que há anos nos afeta tem gerado sérias preocupações na maioria dos operadores econômicos. Quais os efeitos tangíveis sobre a indústria europeia de fixadores?

Tivemos uma queda dramática entre 2008 e 2009, com demandas quase reduzidas ao zero “ao longo de uma noite”, com muitos dos nossos fabricantes fechando ou contentando-se em atender pedidos de curto prazo. Mas a partir de 2009 já detectávamos crescimento. Temos agora na Europa um setor investindo novamente em longos prazos, além de estar tentando obter êxito na melhoria da produtividade. Do meu ponto de vista, 2008 e 2009 gerou uma purificação em nossas indústrias, bem como um estímulo para nossos fabricantes estarem melhores no futuro.

Como este setor europeu aparece hoje no contexto econômico global?

Acho difícil responder, mas nossas indústrias são, obviamente, muito dependentes da situação econômica geral. Nos últimos anos, temos visto uma série de mudanças importantes em nossa indústria: empresas asiáticas têm vindo à Europa, e as europeias têm se expandido para outros continentes. As europeias estão sofrendo um processo lento, mas contínuo, de globalização. Sua nova estratégia em vigor é ditada por eventos, e visa garantir entregas oportunas para clientes com bases em todo o mundo. Esta tendência tem aumentado continuamente desde o início de 2014.

Que mudanças estruturais podem ocorrer na Europa, provenientes de uma globalização cada vez mais forte?

Exatamente como eu respondi antes, a indústria europeia está se expandindo globalmente. Por outro lado, os investidores estrangeiros estão se dirigindo à Europa. Neste processo de globalização, no entanto, é imperativo que os princípios da concorrência leal sejam plenamente respeitados e defendidos.

Atualmente, políticos, economistas e experts apontam para o crescimento e desenvolvimento como soluções para os pesados efeitos da crise. Em sua opinião como e de que maneira o crescimento deve ser realmente perseguido e alcançado?

Eu mesmo sou um homem de indústria e creio que nossos fabricantes devem confiar em linhas de produtos fortes e convincentes, porque isso pode criar postos de trabalho de longo prazo. Portanto, as empresas não devem considerar finanças como oportunidade predominante de lucro, como aconteceu no passado. Nossos fabricantes, muitas vezes, são empresas familiares, e por esta razão não podem fazer investimentos de curto prazo, e sim de longo prazo (em torno de 15 e 20 anos). Para fazerem esses investimentos eles precisam de apoio tanto de políticos, quantos das políticas econômicas e financeiras que não mudem continuamente.

Será que o futuro também será dos fixadores europeus?

Sim, acredito que os produtos de fixação europeus terão espaço no futuro. Mas, para isso, precisamos que as organizações e os legisladores europeus apoiem essa indústria com leis e regulamentos adequados, nos mantendo em condições de igualdade com o resto do mundo, em um ambiente de competição justa e limpa.

Que ações a UE pode tomar no comprometimento com empresas deste setor?

Muitas dessas empresas são de famílias que, com sacrifício, investem muito nelas para melhorá-las e torná-las mais eficientes. Portanto, para se manterem atuantes, elas necessitam lidar com regras que não são continuamente alteradas. Não acredito na eficiência de políticas com subsídios vindas de governos porque isso não cria empresas saudáveis. Melhor deixar de lado as empresas obsoletas e inefi cientes, incapazes de competir no mercado. Como diria o personagem de cinema James Bond, “Live and Let Die”:

Ainda podemos continuar otimistas e confiar no futuro?

Absolutamente sim. Dependem principalmente da indústria automobilística que, depois de um período de declínio, está novamente crescendo na Europa e em outras partes do mundo. Além disso, penso que a indústria da construção, que sofreu um grande declínio, vai subir novamente dentro de pouco tempo. Em comparação com um par de décadas atrás, devido a esta crise, os nossos fabricantes reduziram suas atividades em 20 e 30%. Penso, no entanto, que não vamos voltar aos níveis atingidos em 2007 e 2008, porque nesse período o crescimento foi, principalmente, devido ao dinheiro barato e de fácil financiamento.

Com que palavras quer terminar a entrevista?

Afirmo fortemente que nossas indústrias de fixadores são muito importantes do ponto de vista estratégico e pela contribuição que dá aos empregos, girando em torno de 50 mil funcionários diretos só na Europa. Mas esse número pode ser o dobro se considerarmos as atividades periféricas neste sistema produtivo. Mesmo assim, ninguém parece muito inclinado a se importar sobre essa indústria. Existe um grande número de pequenas empresas correndo o risco de desaparecer, mesmo eles desempenhando papéis industriais importantes. Apesar dessas dificuldades, e se você tomá-los como um agregado, a nossa indústria garante empregos de bons níveis. Acredito que teremos muito sucesso na continuidade desse processo de desenvolvimento.

Nossos mais sinceros agradecimentos ao colega Marco A. Guerritore, editor-chefe da Italian Fasteners Magazine.

Anders Karlsson
Presidente da European Industrial Fasteners Institute
info@eifi.org

 

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