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Entrevista
31/07/2018 09h36

 Entrevista

Jorge Guimarães, diretor-presidente da Embrapii, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial

 

Mantida pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC), a entidade atua com a cooperação de instituições de pesquisa científica e tecnológica buscando colocar a indústria nacional na vanguarda da inovação  

 

Na edição abril/maio de 2017 desta RP abrimos nosso editorial sob o título “Globo Industrial”, em alusão ao “Globo Rural”, programa dominical de TV sobre o agronegócio. No texto questionávamos a inexistência de um órgão governamental que atuasse junto às indústrias instaladas no Brasil, apoiando-os na inovação. No final do ano cobríamos o Senafor, o seminário anual de forjamento, em Porto Alegre, RS, quando assistíamos uma palestra com um representante da Embrapii, criada em 2013. Fizemos contato com a entidade, obtendo esta breve entrevista com o atual presidente, o professor e pesquisador Jorge Almeida Guimarães.

Entre 2004 e 2015 o professor presidiu a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), fundação vinculada ao Ministério da Educação, onde teve uma gestão de grande êxito no desenvolvimento do sistema de Pós-Graduação e no aumento da produção de conhecimento científico brasileiro, colocando o Brasil em posição de destaque internacional. Além disso, Guimarães foi Pesquisador Sênior do CNPq, lecionou em universidades federais do Rio de Janeiro (UFF, UFRJ, UFRRJ), de São Paulo (Unifesp, Unicamp, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutor em Ciências Biológicas pela Unifesp e Pós-Doutorado pela National Institutes of Health (USA), ainda na Capes, ele foi um dos semeadores desta “Embrapa Industrial”. Boa leitura!

RP: Como e quando surgiu a Embrapii?

Prof. J. Guimarães:

Entre 2009 e 2010, quando eu presidia a Capes, consultei a SBF (Sociedade Brasileira de Física) sobre o que eles poderiam fazer pelo Brasil. A SBF escreveu um texto onde fez diversas sugestões, entre elas a criação de uma “Embrapa Light” para o setor industrial. Passei o assunto adiante, junto a outros órgãos, como a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a ABC (Academia Brasileira de Ciências), que inicialmente trazia o nome vinculado à tecnologia, mas ficou definido sob o termo inovação. Evidentemente, o prestígio e a inspiração na Embrapa foi fundamental na elaboração do projeto, além da participação da Fraunhofer-Gesellschaft, organização alemã de pesquisa que funciona sob a tríplice: governo, instituição de pesquisa e empresa. Mas o modelo da Embrapii teve inspiração num modelo próprio, devido algumas diferenças estruturais, fazendo aproveitamento do que já tínhamos nas universidades, com os grupos de pesquisas e empresas. Assim, desde 2013 a Embrapii foi colocada em ação com a primeira chamada de candidaturas ocorrida no começo de 2014, que recebeu mais de 80 propostas de interesse.

Oferecemos aquilo que muitos não têm, como uma estrutura de Pesquisa e Desenvolvimento em 49 unidades Embrapii (UE) pelo país.

Como uma indústria pode se beneficiar?

Oferecemos aquilo que muitos não têm, como uma estrutura de Pesquisa e Desenvolvimento em 49 unidades Embrapii (UE) pelo país. Além disso, ela tem o poder para investir até 1/3 do dinheiro necessário para cada projeto, enquanto o restante se divide entre a empresa parceira e a UE envolvida em cada projeto. Ou seja, a meta é ajudar diminuindo os riscos em projetos de inovação em diversos campos, seja de metal-mecânica, manufatura avançada, tecnologia em geral, química, petróleo e gás e outros. Nesse caso, a empresa busca a UE definida, apresenta, debate e adota ações conjuntas em busca da solução. Supondo que determinado projeto custará R$ 3 milhões, a Embrapii arca com R$ 1 milhão; a operação do P&D local equivale a uns 20% do projeto, cabendo a empresa arcar com algo em torno de 47% do total, recurso este que ela poderá buscar em parceiros do Embrapii, como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e os Bancos de Desenvolvimento, como de Minas Gerais, Nordeste e outros.

Qual o orçamento anual, estrutura, número de agentes atuantes e respectivos perfis técnicos?

Temos em contrato a meta de aplicar R$ 1,5 bilhão nos próximos seis anos, e em inovação dinheiro é algo que não pode faltar. Especificamente no escritório central, em Brasília (DF), contamos com uma equipe de 23 pessoas. Somos submetidos a duas avaliações anuais pelo comitê de nosso contrato de gestão, realizado por dois ministérios.

Só descobrimos a existência da Embrapii em novembro 2017. Como é realizada a divulgação?

Temos muitos meios, um deles é através da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), um movimento entre a iniciativa privada e o setor público para fomentar estratégias inovadoras nas empresas brasileiras, fora o espaço que a mídia nos dá, como publicado recentemente no jornal Valor Econômico.

Semanas antes desta entrevista, em abril 2018, o jornal Valor Econômico destacou a entidade sob o título “Parceria facilita acesso a recursos para pesquisa” (http://www.valor.com.br/empresas/5491379/ parceria-facilita-acesso-recursos-para-pesquisa).

 

Segundo o Valor, em 2017, uma parceria com o Sebrae deu início à incursão da Embrapii no universo dos negócios de menor porte, surpreendendo a instituição pela qualidade e maturidade dos projetos. "O Sebrae nos trouxe uma carteira de projetos competitivos e prontos para investimento", comentou Jorge Guimarães, presidente da entidade. Ao todo, 53 projetos gerados por micro e pequenas empresas estão em desenvolvimento nas unidades Embrapii. As iniciativas somam investimentos na ordem de R$ 40 milhões. O modelo de compartilhamento de risco e a desburocratização para acesso de verbas públicas são os principais atrativos da parceria. A Embrapii responde por até um terço do valor dos projetos. São recursos públicos não reembolsáveis. Isso signifi ca que, se a tecnologia não vingar, o contrato é encerrado, sem saldo de dívida para o empresário com o governo federal. 

Além disso, frequentemente fazemos reuniões com associações setoriais da indústria, como Abimaq, Abifina, Abimo, Anfavea e federações das indústrias, valendo destacar aqui a unidade de Santa Catarina (Fiesc), sempre atenta e interessada em ações de inovação, seguida pelo Paraná (Fiep) e São Paulo (Fiesp). Quando a iniciativa de contato com o Embrapii se origina de empresas de grande porte, mobilizamos equipes específicas do ramo para atender, caso já ocorrido com a Cia Suzano de Papel (SP), a unidade Mann Caminhões (RJ) e Grendene (CE). Mesmo Cias grandes com seus departamentos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) recorrem a nós, caso da Votarantim (20 projetos), Embraer (18 projetos) e outros.

Maior fabricante nacional de fixadores no Brasil, a Ciser realiza um evento próprio de inovação, envolvendo jovens estudantes. A Embrapii tem algo similar ou pode apoiar?

Como já falei do intenso ativismo dos catarinenses em inovação, Joinville (cidade natal da Ciser) é uma das mais ativas nessas cidades. Neste caso, temos o sistema de startups pelo Sebrae, no qual o jovem se integra, apresenta o projeto e julgamos sua aprovação. Lá ele encontrará cerca de 30 pesquisadores sêniors para ajudá-lo, equipamentos e financiamento. Ele pode fazer isso com parceria de uma grande empresa, depois operar em conjunto ou vender o projeto para essas empresas.

Mensagem do entrevistado

Crises criam problemas e oportunidades. Devemos fomentar a criação e por em prática ações dinâmicas e inovadoras. Há muita perspectiva para inovarmos. Observe a cidade de Campina Grande, Paraíba, que tem conosco bons projetos, um deles de TI, que obviamente não tem mercado para isso e estão sendo vendidos para outros estados e ao exterior.

Jorge Guimarães
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