Empresa Edições on-line Fale Conosco
Edição 52
Busca::..
Edição 83
Edição 82
Edição 81
Edição 80
Edição 79
Edição 78
Edição 77
Edição 76
Edição 75
Edição 74
Edição 73
Edição 72
Edição 71
Edição 70
Edição 69
Edição 68
Edição 67
Edição 66
Edição 65
Edição 64
Edição 63
Edição 62
Edição 61
Edição 60
Edição 59
Edição 58
Edição 57
Edição 56
Edição 55
Edição 54
Edição 53
Edição 52
Edição 51
Edição 50
Edição 49
Edição 48
Edição 47
Edição 46
Edição 45
Edição 44
Edição 43
Edição 42
Edição 41
Edição 40
Edição 39
Edição 38
Edição 37
Edição 36
Edição 35
Edição 34
Edição 33
Edição 32
Edição 31
Edição 30
Edição 29
Edição 28
Edição 27
Edição 26
Edição 25
Edição 24
Edição 23
Ediçao 22
Edição 21
Edição 20
Edição 19
Edição 18
Edição 17
Edição 16
Edição 15
Edição 14
Edição 13
Edição 12
Edição 11
Edição 10
Edição 09
Edição 08
Edição 07
Edição 06
Edição 05
Edição 04
Edição 03
Edição 02
Edição 01
empresa
contato
Entrevista
06/08/2015 11h12

 Entrevista

 

Sustentabilidade mesmo ou é só marketing?  

 

Marcus Nakagawa, professor da ESPM e presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade  

 

 

RP: As empresas usam o termo sustentabilidade por acreditar na causa ou como marketing?

Marcus Nakagawa - Realmente a percepção de que as empresas estão utilizando esta “moda” como forma de se diferenciar no mercado é grande. Afirmo: realmente estão fazendo isso, colocando mais este valor na sua marca. E esta atitude não é “pecado” ou sacanagem, quando feito de forma verdadeira e que se possa comprovar as ações e resultados. Agora utilizar isso pura e simplesmente como uma maquiagem verde, ou seja, falar que está fazendo e não está, passa a ser um problema ético. São práticas ilegais e antiéticas de mercado da mesma forma como é maquiar o balanço contábil, como mentir sobre um benefício técnico de um produto ou como utilizar trabalho escravo.

Não é um movimento criado por alguns grupos?

Existem os céticos ambientais, principalmente ligados às questões do aquecimento global, um dos vilões da sustentabilidade, que comentam que este movimento é feito pelos “melancias”, como no livro “Os melancias: como os ambientalistas estão matando o planeta” (Ed. Topbooks), do jornalista James Delingpole, que coloca que as pessoas são verdes por fora e vermelhos por dentro. Ou seja, os “Neocomunistas” brigam contra o capitalismo e o consumismo desenfreado e querem um comunismo adaptado levando em consideração o meio ambiente. Ainda classificam as pessoas que estão levando o movimento da sustentabilidade nas empresas, nas escolas, no governo e nas ONG´s como “ecochatos”, “biodesagradáveis” ou ainda “social-boring”.

Mas afinal de contas, enfrentamos ou não uma crise ambiental?

Foi produzido um vídeo “A Grande Farsa do Aquecimento Global”, disponível na internet, sobre o outro lado do aquecimento global, mostra exatamente os argumentos de alguns cientistas que discordam sobre o tema. Dizem que não é verdade que o CO2 liberado pela atividade humana é a causa da elevação da temperatura global.

Toda essa questão não pode ser apenas especulação?

Existem as teorias da conspiração sustentando que o mundo é governado por algumas famílias donas de várias holdings e grupos empresariais no mundo e que estes grupos de famílias inserem os temas principais a serem divulgados e mobilizados, e que desta vez é a tal da sustentabilidade e o aquecimento global a serem discutidos.

E como essa questão é tratada dentro das grandes corporações?

Nas empresas, os colegas que trabalham com o tema da sustentabilidade acabam desmotivados pela velocidade de implementação dos projetos, política e produtos ligados ao tema. Sempre existe uma barreira, uma pessoa que não entende, uma verba que falta ou ainda um descompasso do próprio gestor de sustentabilidade de entender o link entre o negócio e o tal do desenvolvimento sustentável. Tirando os negócios sociais, as empresas que já nasceram com este propósito ou as grandes empresas, parece que o foco é ainda no tradicional, no status quo, na inovação zero.

E nas pequenas empresas, é um tema que chega a ser abordado?

Este lado sombrio da sustentabilidade é maior ainda quando vamos para o dia a dia de empresas pequenas, médias ou naquelas áreas tradicionais da gestão. Desenvolvimento sustentável vira uma atividade de uma área em que trabalham pessoas boazinhas e que gostam de abraçar árvores, macaquinhos e crianças que passam por necessidades.  

Recentemente até uma cantora de funk foi considerada pensadora. Nada contra o funk, mas temos que tomar cuidado com os rótulos.  

Como você vê toda essa discussão hoje no Brasil?

Realmente, ainda há muito o que mobilizar e comunicar. Principalmente quando ainda temos ícones de poder, beleza e sabedoria duvidosa. Recentemente até uma cantora de funk foi considerada pensadora. Nada contra o funk, mas temos que tomar cuidado com os rótulos.

As empresas e pessoas estão se mobilizando de alguma forma?

Sim, claro. Tanto no Brasil como fora diversos fóruns, encontros e diversos outros eventos são realizados com muita frequência. O que me dá a certeza de que o movimento da sustentabilidade não é só uma marola. Destes eventos participam grandes empresas, personalidades, além de ONGs que levam o tema em consideração. Estas grandes companhias possuem equipes, departamentos, orçamentos e muitas ações só focadas neste tema. Empresas estas, que, com certeza, têm grandes impactos social, ambiental e econômico. Mas acredito que não investiriam verbas em programas de desenvolvimento sustentável à toa.

Você pode dar um exemplo de iniciativas?

A Unilever, por exemplo, que tem seus produtos no nosso dia a dia, acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade de 2013 num evento com especialistas e formadores de opinião. O seu documento mostra um grande ganho ambiental, que foi encerrar o envio de resíduos para aterros sanitários de todas as suas operações fabris no nosso país e também uma importante parceria com a Unicef em prol do saneamento básico no Brasil.

Se você fizer um levantamento sobre as empresas que estão migrando para a economia verde, vai encontrar um Google que acabou de firmar uma parceria com a Sun Power Corp., empresa especializada em energias renováveis. Juntas elas criaram o fundo de US$ 250 milhões que torna a energia solar mais acessível aos norte-americanos.

O projeto “Go Solar”, que teve alta repercussão nas mídias sociais, tem o fundo como ponto de partida, pois as empresas, ao comprar a tecnologia de energia solar, aluga a um custo financeiro menor que as médias das faturas de eletricidade.

Mas estas ações focadas no meio ambiente e no social são somente para empresas gigantescas ou grandes?

Não, existem empresas pequenas como a Barriga Verde, que é uma churrascaria de São Luís (MA), que separa e vende seus resíduos para recicladores, economiza energia e água, e transforma óleo usado de cozinha em sabão e cinzas das churrasqueiras em adubo para a horta.

E como é a preparação destes profissionais hoje?

Tenho clareza que os casos acima são spots dentro de todo um mar de empresas e ações. Atividades específicas que comparadas ao modelo econômico tradicional de compras e vendas de produtos, serviços e ações acabam sumindo pela sua especificidade. Porém, vejo nas salas de aulas que existe um pré-conhecimento sobre o assunto ainda tímido e sem muito lastro. Mas toda vez que é apresentado o conceito e as práticas das empresas sobre o desenvolvimento sustentável, faz muito sentido para as pessoas. Geralmente elas acabam se identificando pessoalmente e depois conseguem transferir os conceitos para as empresas.

O movimento está aumentando cada vez mais, existe até na área de formação política a RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), que é uma entidade civil, sem fins lucrativos, de natureza apartidária, com pluralidade ideológica, cuja missão é contribuir para o aperfeiçoamento da democracia e do processo político brasileiro por meio, principalmente, da identificação e apoio a atuais e novas lideranças políticas.

Então, não é apenas marketing?

Seja marketing ou crença nas empresas, a lógica econômica é ganhar dinheiro, obter lucro. O movimento da sustentabilidade está aí e faz sentido para as pessoas que a conhecem profundamente. A inteligência está em juntar estas plataformas, que inicialmente parecem contraditórias, e colocar na estratégia da empresa. E ir além, implementar e estar no dia a dia da empresa, das pessoas e dos públicos de relacionamento. Uma certeza eu tenho, o caminho da sustentabilidade é sem retorno e necessário.  

Marcus Nakagawa
Sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente
do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira
dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade,
empreendedorismo e estilo de vida.
COMPARTILHE
CONTEÚDO DA EDIÇÃO

TAGS:
revistadoparafuso@revistadoparafuso.com