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Entrevista
30/06/2010 03h10

Arnaldo Frederico Meschnark, presidente do SINDIFORJA

Arnaldo Frederico MeschnarkEngenheiro e economista, Arnaldo Frederico Meschnark (foto à direita) é o atual presidente do SINDIFORJA. No cargo desde 1994, ele contou a história da entidade e comentou sobre este mercado que transforma metais
 

Fundado em 10 de julho de 1964, o SINDIFORJA – Sindicato Nacional da Indústria de Forjaria – tem como objetivo congregar as empresas que se dedicam a conformação plástica dos metais/forjamento, à metalurgia em geral e as atividades afins (incluindo os fornecedores de insumos e serviços). O primeiro presidente foi Dr. Custódio de Almeida. O SINDIFORJA exerce com autoridade estatutária, ética e moral o poder de conciliar os interesses de seus associados. Participa e realiza eventos para o fomento empresarial, tais como palestras, seminários, exposições e congressos nacionais e internacionais, mantendo o intercâmbio com instituições e entidades do Brasil e no exterior, além de participar na elaboração e no incentivo do uso das normas técnicas brasileiras.

Em 2009, o setor empregou aproximadamente 23 mil pessoas, com produção e vendas em torno de 320 mil toneladas, e exportação de 64 mil toneladas. Para 2010, a previsão é de este mercado empregar 24 mil profissionais, com produção e vendas de 400 mil toneladas, e exportação na casa de 80 mil toneladas. O atual presidente do SINDIFORJA é o Sr. Arnaldo Frederico Meschnark, cargo que ocupa desde 1994, porém, está engajado nas ações da entidade há 30 anos.
Ele é delegado junto a FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo –, diretor da CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – e membro do Centro de Estudos Constitucional da Ação Empresarial. Além disso, é executivo da Thyssenkrupp CSA Siderurgia do Atlântico. Engenheiro e economista, Meschnark é um dos mais importantes homens que lutam pelo mercado de forjados. Com 75 anos, ele segue na presidência da entidade até junho de 2011. Em conversa com a Revista do Parafuso, ele comentou um pouco sobre a realidade do setor.
Revista do Parafuso (RP): Como surgiu o SINDIFORJA?
Arnaldo Frederico Meschnark (AFM): O SINDIFORJA nasceu da Associação Brasileira de Forjarias, fundada em 15 de janeiro de 1958. Em 10 de junho de 1964, originou-se a Associação Profissional da Indústria de Forjaria, reconhecida como sindicato com base municipal em 20 de março de1969, passando a denominar-se Sindicato da Indústria de Forjaria de São Paulo. Em 11 de dezembro de 1974, transformou-se em sindicato com base estadual, chamada de Sindicato da Indústria de Forjaria no Estado de São Paulo. E em 27 de setembro de 1988, foi promovido com base nacional, tornando-se Sindicato Nacional da Indústria de Forjaria.
RP: Quantos sindicalizados o SINDIFORJA possui?
AFM: Aproximadamente 46 empresas associadas.
RP: Quais as principais conquistas e dificuldades atuais da classe?
AFM: A principal conquista foi a tecnologia que alcançamos, nos permitindo competitividade relativa à alta qualidade de nossos produtos. As dificuldades são muitas, entre elas as importações predatórias (todos os dias as forjarias “matam um leão”). Para os próximos anos, o setor de forjados deverá superar dois grandes obstáculos: a política cambial e as importações predatórias, cujos preços dos produtos importados da Ásia, chegam ao absurdo de custarem cerca de 30% a 40% dos produtos similares brasileiros. Com o atual câmbio e eminente perda de mercado e de resultados nas exportações, aliados as continuas importações predatórias, resta claro, pelo menos para as forjarias, que o anunciado crescimento não se reflita na totalidade do preconizado.
RP: Sobre matéria prima: as grandes mineradoras estão em vias de alterar regras de reajustes. O que o SINDIFORJA prevê a respeito?
AFM: Os aumentos de matéria prima são sempre percalços junto aos clientes, para os respectivos repasses desses custos. A alteração de contratos de fornecimentos de minério para as siderúrgicas para trimestrais, gerará maiores dificuldades para as forjarias repassarem seus gastos.
RP: Sobre o Brasil: como espera o mercado para os próximos anos?
AFM: Com reservas. A dificuldade de investir no Brasil, principalmente pelas multinacionais face ao atual cenário, é simples de diagnosticar. O que tem que ser investido para atender a demanda interna, vem da pergunta: “onde poderá ser produzido competitivamente”? A resposta é óbvia e também leva ao clássico jargão “desindustrialização de nosso parque industrial”.
RP: Você acredita em novo ciclo de instabilidades (como ocorreu em 2008)? Ou tem a confiança de que o mercado aprendeu a lição?
AFM: O mercado nunca aprende a lição. Sempre há a possibilidade de um novo ciclo de instabilidades, haja vista pela crítica situação em que passa a Europa, face da crise da Grécia.
RP: Como funciona o mercado brasileiro de forjamento em relação e, inclusive, em comparação aos demais países.
AFM: Lembro-me que no início da indústria automotiva brasileira, os diretores, na colocação de seus programas, perguntavam-nos: “o seu retorno é suficiente para futuros investimentos e garantir o fornecimento de nossa demanda?” Hoje, nossos clientes comparam os atuais preços com os praticados internacionalmente, com o seguinte posicionamento: “ou acompanham esses preços ou passaremos a importar e cancelamos os pedidos”.
RP: Somos competitivos ou não aos demais países?
AFM: Fazemos eco as divulgações da mídia que colocam claramente os motivos de nossas eventuais falta de competitividade, perante o mercado internacional, principalmente ao asiático, que é motivada pela “desestrutura cambial”, “estrutura fiscal aviltante” e “custos sociais escorchantes”. Em condições normais e sem as importações a preços aviltantes, nossas forjarias são altamente competitivas, em quantidade e, especialmente, em qualidade. Somos capacitados com tecnologia de ponta, porém, travados pela “trinca do mal” retrocitada.
RP: Informe os números sobre este universo.
AFM: O setor de forjamento consome cerca de 400 mil toneladas de metal por ano.
RP: Forjamento não se refere apenas aos fixadores, sendo ele muito mais complexo. No Brasil temos o SENAFOR (que completa 30 anos em outubro). Pode nos falar sobre este e outros eventos que a entidade está envolvida?
AFM: No Brasil, o único evento, acadêmico, de porte referente à Forjamento é o SENAFOR, realizado anualmente no mês de outubro, no Rio Grande do Sul, sob a orientação técnica e científica do Prof. Dr. Lírio Schaeffer, com nosso apoio e participação.
RP: Na condição de autoridade governamental, o que faria de impactante pelo setor industrial?
AFM: Medidas de efeito, ainda que “antipáticas”, para que parássemos o processo de desindustrialização em andamento no Brasil, isto enquanto ainda há tempo. O enorme volume de medidas de “bondades” concedidas pelo governo, como no caso dos veículos pesados (negociados a juros altamente subsidiados, aquece altamente o setor, que por sua vez é adquirido em grande parte do exterior), irão indiretamente, financiar importações e a criação de empregos em outros países. A atual proteção de imposto de importação para carros, de 30%, deveria ser estendida para as autopeças para salvaguarda do setor.
RP: Gostaria de deixar alguma mensagem para os nossos assinantes?
AFM: Estamos empenhados em seminários e na mídia, juntos com outros sindicatos de autopeças, em reinstalar, com urgência, um organismo regulador para todo o setor automotivo, o que no passado mostrou-se eficiente. Seria uma maneira equânime com o tratamento utilizado pelos países asiáticos para o setor. É importante destacarmos que, para termos um crescimento sustentável até melhor do que ora se apresenta, é fundamental investimentos em infra-estrutura e educação, como nos países desenvolvidos. Estamos abaixo do mínimo desejável; o setor público aplica pouco mais de 1% do PIB em infra-estrutura, já no setor privado a aplicação sobe para 2%.
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