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Entrevista: Carlos Otávio Albuquerque fala sobre a Micheletto
28/02/2008 11h26

Carlos Otávio Albuquerque: Gerente comercial da Micheletto

A quase centenária Micheletto, ou Mitto, como é conhecida no mercado, é o exemplo de que com determinação, aliada à qualidade e competitividade, é possível superar obstáculos e retomar o lugar de destaque que sempre teve no setor parafuseiro.

Fundada em 1912, pelos irmãos Cypriano e Bartolo Micheletto, em 2004 foi adquirida pelo grupo Comafal, indústria que fabrica tubos e perfis de aço. Apesar da aquisição, a Mitto continua com administração própria e tem atualmente 280 funcionários.
A Revista do Parafuso esteve com o gerente Comercial da empresa, o jovem pernambucano Carlos Otávio Albuquerque, de 25 anos. Há dois anos na Mitto, ele acompanhou de perto toda reformulação pelo qual passou e agora conta quais os passos para o futuro.
Revista do Parafuso (RP) – Nos conte um pouco da história da Mitto
Carlos Otávio Albuquerque - Ela teve suas atividades iniciadas em 1912 pelos irmãos Micheletto. Em 1918 produziu o primeiro torno brasileiro e em 1919 iniciou a produção de parafusos. Sediada no Rio Grande do Sul, a Mitto tornou-se tradicional pelo rigoroso controle de qualidade de seus produtos. Nos anos 60, iniciou as exportações e as ações no escritório de Vendas em São Paulo. O principal parafuso fabricado por ela é o fendado. Nos anos 70, passou a ter produção de itens de lista, que vão para as distribuidoras; e os especiais, focados para as indústrias. Na década de 80, abriu uma fábrica em Fortaleza, que produzia rebites, porém foi fechada em 90. Já em 2004, ocorreu a compra pelo grupo Comafal.
RP - E hoje, quantas unidades fabris a Mitto tem?
Albuquerque - Com a fusão, houve uma consolidação das duas fábricas, a de Minas Gerais e a de Canoas. Tudo ficou agrupado em Canoas, no Rio Grande do Sul. Definiu-se que haveria uma despesa fixa e frete único para todo Brasil. Algumas pessoas nos perguntam, porque não em Minas Gerais, que é mais centralizado? Porém, no Sul fica todo departamento de Engenharia e Qualidade da empresa. E o nosso grande diferencial sempre foi a alta qualidade. Além do que, lá está a matriz, bem como a marca é muito consumida no Rio Grande do Sul, então, estrategicamente para atender esse forte mercado, é importante ela ficar na região. O que houve foi uma expansão do galpão de produção. Máquinas que estavam em Minas migraram para lá. Isso tudo não gerou uma diminuição na capacidade de produção, pelo contrário, unificou tudo num único espaço físico.
RP – Quanto do mercado parafuseiro a Mitto detém hoje?
Albuquerque – Temos cerca de 30%. Com a transição, a Mitto ficou um pouco fora do mercado e agora investimos forte, de um ano pra cá, para esta recuperação. A entrada no Brasil de material importado, em especial da China, também colaborou para a perda de espaço.
RP – Pode nos explicar melhor sobre este investimento?
Albuquerque – A Mitto sempre ostentou ter o produto com melhor qualidade, a marca mais forte, principalmente no mercado de fendados. Na década de 90 ela sofreu uma queda por problemas administrativos da outra gestão e, logo após a fusão, o grupo que a assumiu não tinha ainda know how na comercialização e produção de parafusos. Na época, foi eliminado o sistema de vendas por representação e passou-se a trabalhar com telemarketing, porque era assim que a Comafal atuava nas demais empresas do grupo. Mas, com o passar desses dois, três anos de transição, foi verificado que o ideal são as representações.
Até porque, elas penetram no mercado, e como a Mitto precisa dessa recuperação rápida, esse é o processo de vendas mais eficaz. A Mitto ainda é muito lembrada por sua qualidade, porém ela teve problemas de entrega. Sem recursos, falta matéria, há um déficit na logística, ou seja, uma coisa puxa a outra. Nos últimos três anos, trabalhamos por uma reestruturação interna, alinhamento de estoque de insumos, matéria-prima, modernização da fábrica com a compra de novas máquinas, enfim... Quando ela passou a ter uma capacidade produtiva ideal para atender o mercado, a representação voltou, aliada a uma política de marketing, que a fez crescer novamente. Porém, nosso objetivo é liderar novamente o segmento parafuseiro.
RP - Quem é o público consumidor da Mitto?
Albuquerque - O público da Mitto na área de distribuição é com certeza o moveleiro em primeiro lugar. Já no pólo industrial, contamos com a linha branca, voltada para as áreas auto-mecânica e automotiva. Também trabalhamos com o segmento da construção, focado no distribuidor; além de plástico, chapa de aço, etc. A Mitto possui mais de 6 mil itens ativos e 6 mil itens inativos, e a cada dia chega a cotação de novos produtos. Se uma empresa precisar, produzimos um parafuso que até então não existe, basta que nos mande o desenho e as indicações, que, sendo aprovado pelo departamento de Engenharia e Qualidade da empresa, ele é feito.
RP - Qual a perspectiva de crescimento para 2008?
Albuquerque – Aproximadamente 25%. Em 2007, nosso crescimento foi de 10%.
RP - Quais são as estratégias e ações que os levarão a esse crescimento?
Albuquerque – São ações que darão continuidade àquelas que foram tomadas no processo de reestruturação. Foram investidos mais de R$ 20 milhões na empresa, além do valor de aquisição. Tudo isso, para que ela pudesse ter uma maior estrutura interna. No ano passado, foi feito uma reforma na galvanoplastia, onde é realizado o banho artificial de zinco no parafuso. Antes era o hexavalente, que detém o cromo 3, o cianeto, um composto cancerígeno, hoje usamos o trivalente, que não contém essa substância.
Todos os processos de produção da Mitto são internos e nacionalizados. Aproveitamos essa reforma para também atualizar a área de software e manutenção mecânica das máquinas. É importante ressaltar que as máquinas, em especial as antigas, podem durar 100, 200 anos, por serem alemãs, basta que tenham uma boa manutenção. Houve também uma mudança no corpo administrativo da fábrica. Os produtos da Mitto eram 20%, 30% mais caros e mesmo assim seguia como líder. Atualmente com a entrada do material importado no mercado, que não possui uma qualidade excepcional, mas tem preço muito mais baixo, ela não pode se apoiar só na qualidade, precisa ser também competitiva. A margem de lucro da empresa está sendo reduzida para que possa voltar ao mercado com essa competitividade.
RP - Qual a produção de fendados?
Albuquerque - Nossa medida é por cento e não toneladas, mas lhe darei uma idéia em toneladas. Produzimos cerca de 1,5 milhão de centos mês, o que equivale a 300 toneladas, aproximadamente. Já que fendados é um parafuso menor. A Mitto só trabalha com sextavado especial, no caso de solicitação de alguma empresa, que tenha no máximo diâmetro de 8mm. Nossas vendas são divididas em 35% mercado moveleiro, 25% linha branca, 20% automotivo e autopeças, 10% construção, 10% outros, que são para empresas diversas. Nosso foco é daqui a dois anos produzir 500, 600 toneladas mês. Dobrar a produção e a capacidade de venda.
RP - Para se chegar a essas 600 toneladas mês, você tem idéia do investimento necessário em maquinário, ferramentas, dentre outros.
Albuquerque - Uma grande parte do investimento já foi feito. Tanto administrativos como de capitais, porém nossa idéia é continuar modernizando a fábrica, com novas máquinas, como também ampliar o parque fabril e ter mais mão-de-obra. Sabemos que a Micheletto já tem qualidade e agora com a competitividade, precisa ter o estoque para atender o mercado.
RP – E como está este estoque?
Albuquerque - Hoje temos um estoque de mais de 4 milhões de centos de parafusos. A idéia é de termos 100% do nosso item de lista em estoque, ou seja, um trabalho de pronta-entrega. Temos um estoque alto, porém pouco diversificado. Os itens especiais para indústria são trabalhados por programação prévia. Quando temos uma indústria que compra mensalmente ou periodicamente, como realmente temos, produzimos o suficiente para três pedidos. Por que assim que a empresa solicitar, já teremos uma quantia a mais para não deixá-la na mão.
RP – A Mitto lançara algum produto em 2008?
Albuquerque - No ano passado lançamos o Mittolaw, que é um parafuso muito parecido com o Mittofix, que para madeira é o mais conhecido da empresa. Desenvolvido especialmente para aplicações em madeiras nobres, de médias e altas durezas, como ipês, itaúbas e louro freijó, além de pinus, aglomerados e MDF. Seu grande diferencial perante os concorrentes do segmento, é que dispensa o pré-furo e através da geometria da rosca e cabeça, deforma menos a madeira. Ele facilita a vida do marceneiro, reduzindo os tempos e custos de montagem em móveis e estruturas de madeiras. Suas características de rosca e ponta diminuem o risco de inchar ou trincar a peça durante a aplicação, assegurando alta resistência e poder de fixação. A partir deste ano já teremos estoque do produto e estamos divulgando junto a alguns de nossos distribuidores, com banners e folders, além de feiras, como FIC, no Sul, e a ForMóbile, em São Paulo.
RP – Você fala muito em qualidade dos produtos, quais os certificados que a Mitto tem?
Albuquerque - Temos o ISO 9001 e estamos batalhando para alcançar a ISO/TS 16949, uma exigência do setor automotivo.
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