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Mulheres na construção civil avançam e ampliam presença no setor

Entrevista com lideranças revela crescimento de 36%
nos registros Confea, 184% em vagas formais e tendências para FEICON 2026

12/05/2026

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Mulheres na construção civil avançam e ampliam presença no setor

A participação feminina na construção civil acelera em um movimento consistente de expansão no mercado formal e nos registros profissionais. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam crescimento de 36% nos registros de mulheres nos últimos cinco anos. Informações do Sinduscon-SP indicam aumento de 184% no número de profissionais com carteira assinada desde 2006, além de 20,2% das mais de 110 mil vagas formais criadas em 2023 terem sido ocupadas por elas. O avanço ganha espaço no debate setorial e integra a programação e as iniciativas da FEICON – Feira Internacional da Construção Civil, maior evento do setor na América Latina.

Nesta entrevista, as especialistas Lígia Mackey, presidente do Crea-SP; Mayra Nardy, diretora de portifólio da RX; e a engenheira, influenciadora e embaixadora da FEICON, Iza Valadão, discutem dados e a influência feminina na cadeia produtiva da construção civil.

Como avalia o marco de 54 mil mulheres registradas no Crea-SP (16% do total), com crescimento 36% nos últimos 5 anos contra 24% dos homens?
Lígia Mackey, presidente do Crea-SP: É um marco que reflete a ocupação gradativa de espaços que sempre foram nossos por direito, mas historicamente dominados por homens. O censo inédito do Confea mostra nosso potencial ainda maior. Para alavancar esses números, atuamos em duas frentes: combate ao preconceito estrutural e políticas de permanência, já que apenas 35% dos alunos de Engenharia concluem o curso. Precisamos garantir equidade salarial e suporte para cargos de decisão.

Os dados Sinduscon-SP impressionam: 20,2% das 110 mil vagas CAGED 2023 e +184% RAIS desde 2006. É demanda real do mercado?
Lígia Mackey: Sim, é um movimento concreto rumo à diversidade. O crescimento de 184% e 20,2% das vagas mostram que empresas reconhecem nossa competência técnica e liderança. Diversidade não é pauta social, é estratégica: empresas mais diversas são mais inovadoras e competitivas. Para 2026, vejo continuidade com políticas internas de inclusão e maior visibilidade de lideranças femininas.

O aumento de registros e contratações reflete procura real das mulheres pelo setor?
Iza Valadão, embaixadora da FEICON: Vejo esse crescimento refletido na prática, especialmente na formação. Há 20 anos, éramos poucas nas universidades de Engenharia Civil e Arquitetura. Hoje, a presença feminina é significativa nas salas de aula e primeiros anos de carreira. Porém, existe um descompasso entre entrada e permanência. Muitas enfrentam desafios de ambiente de obra, cultura organizacional e oportunidades de liderança.

A FEICON, com mais de 30 mulheres no time e palestrantes femininas confirmadas na Feiconference, reflete essa transformação?
Mayra Nardy, diretora de portfólio da RX: A FEICON acompanha esse avanço como pauta e realidade do mercado. O aumento da participação feminina em áreas técnicas, gestão e organização de grandes eventos mostra a transformação em curso. Dar visibilidade é nosso compromisso com um ambiente representativo e conectado às novas demandas da cadeia produtiva.

O Programa Mulher Crea-SP já impactou quantas profissionais? Quais conquistas recentes?
Lígia Mackey: Em 2025, mais de 25 mil pessoas foram impactadas por trilhas de capacitação, palestras em universidades e networking. Lançamos o Programa de Liderança para Mulheres e conquistamos o Selo Ouro ABNT contra violência, primeiro conselho profissional do país, após o Selo Bronze em 2025. Criamos redes de apoio para que cada mulher se sinta preparada para grandes desafios.

Qual a participação real hoje e como superar esses desafios?
Iza Valadão: A participação ainda é minoritária no canteiro e executivos, mas cresce consistentemente em gestão, projetos, tecnologia e sustentabilidade. O próximo passo é consolidar presença em posições estratégicas de alta responsabilidade, superando barreiras culturais.

Que tendências projeta e qual o papel da FEICON nesse movimento?
Iza Valadão: Três movimentos claros: 1) Maior presença em áreas técnicas especializadas (tecnologia, sustentabilidade, inovação); 2) Crescimento do empreendedorismo feminino no varejo e serviços; 3) Liderança em ambientes masculinos via redes de apoio e mentoria. A FEICON é fundamental: coloca mulheres como palestrantes, líderes de debate e protagonistas, normalizando a presença e inspirando entradas. Representatividade é estratégica para o futuro do setor.

Entrevista gentilmente cedida pela assessoria da FEICON - Phábrica de Ideias - assessoria de comunicação e relacionamento com a imprensa.
Gabriela Virdes - gabriela@phideias.com.br
Eduardo Nazaré - eduardo@phideias.com.br
(11) 93381-7540 (17) 99731-3210