Mais uma vez, destacamos aqui o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), sistema tarifário fronteiriço adotado pela União Europeia (UE), que visa confirmar que determinados bens importados para o bloco econômico e político europeu, composto por 27 países, tenham sido devidamente pagos pelas emissões de carbono geradas na sua produção.
Inicialmente, parafusos e similares não estavam sujeitos ao sistema, mas o lobby da indústria de fasteners da UE falou mais alto.
Nosso entrevistado é cofundador e diretor-chefe de CBAM na Dubrink™, empresa integralmente dedicada a prestar serviços nesse novo sistema.
Responsável pela estratégia comercial e operacional da empresa, com forte foco em vendas, marketing, finanças e gestão de relacionamentos-chave, Marcel Duits desempenha um papel crucial na expansão da rede Dubrink — de fábricas e fornecedores a importadores e instituições financeiras envolvidas na proteção de certificados CBAM. Com dois mestrados pela Erasmus University Rotterdam, na Holanda, seu país natal. Com experiência na Unilever, ele construiu sua expertise em gestão estratégica, execução comercial e excelência operacional em um ambiente corporativo global.
A Dubrink se apresenta como "O seu parceiro confiável em toda a cadeia de suprimentos da CBAM", onde a clientela pode coletar e calcular dados sem esforço para mitigar riscos, reduzir tempo, bem como planejar e agilizar-se com antecedência às demandas CBAM, estando disponível em mais de 20 idiomas, inclusive em português.
O que é e o que faz a Dubrink?
Trata-se de uma plataforma de conformidade e inovação, que auxilia empresas a se prepararem e gerenciarem os requisitos do CBAM. Fornecemos ferramentas para calcular emissões, automatizar relatórios e dar apoio às empresas na transformação do CBAM de um ônus de custos e conformidade em uma vantagem estratégica.
O que torna a Dubrink única é que fábricas podem calcular suas emissões diretamente por meio da nossa plataforma, e conectamos automaticamente esses resultados às importações de importadores da UE. Isso não acontece apenas para uma fábrica, mas em toda a cadeia de suprimentos – abrangendo todas as fábricas, todos os processos e todos os fluxos de importação. Fazer isso manualmente seria impossível, mas com a Dubrink torna-se simples e escalável.
Existe clientes e/ou representação no Brasil?
Atualmente, temos como parceira no Brasil a empresa Bio 3 - Meio Ambiente e Sustentabilidade Ltda., mas estamos abertos a receber consultores adicionais.
A maioria dos nossos clientes está sediada na UE. Para os fornecedores, no entanto, o software da Dubrink é gratuito – eles podem calcular suas emissões gratuitamente. Estar na plataforma também permite que importadores da UE os selecionem como fornecedores. Isso significa que já trabalhamos com empresas brasileiras indiretamente: elas usam nossa plataforma gratuitamente, o que as torna mais atraentes para compradores da UE.
Quando, como e por que as empresas devem tomar medidas para se adaptar ao CBAM? Isso também é urgente para as empresas brasileiras?
Sim – quanto antes, melhor. Sem dados de emissões verificados, os importadores são forçados a usar valores padrão definidos pela UE, que geralmente são mais altos do que os valores reais. Isso torna os produtos CBAM mais caros do que o necessário. Até mesmo as empresas brasileiras devem agir agora para garantir que seus dados estejam disponíveis e suas exportações permaneçam competitivas.
No setor de fixadores – geralmente empresas familiares com cerca de 50, 100 a 300 funcionários – quais seriam os primeiros passos para se adaptar aos requisitos do CBAM?
Primeiro: cumprir as obrigações anteriores de declaração CBAM, segundo: se candidatar para se tornar um Declarante Autorizado, terceiro: calcular e reportar as emissões para a UE.
Para empresas fora da UE, como o Brasil, também é essencial considerar a descarbonização da cadeia de suprimentos. Com nossa ferramenta de previsão, vemos casos em que os custos do CBAM podem aumentar dez vezes. Se os fornecedores não puderem fornecer dados de emissões adequados, os importadores são forçados a usar valores padrão, o que imediatamente levam a custos de CBAM mais altos para seus clientes.
Considerando ser o Brasil um robusto importador, mas modesto como exportador, o CBAM só importa para quem exporta?
Por enquanto, sim – o CBAM se aplica a empresas que exportam produtos para a UE. No entanto, se uma empresa brasileira importa materiais, os modifica e depois exporta para a UE, ela também pode se enquadrar no escopo do CBAM.
Na Europa, o CBAM é amplamente discutido na indústria de fixadores, mas no Brasil parece haver muito pouca conscientização. Qual é a sua perspectiva sobre essa lacuna de conhecimento?
Concordo – o conhecimento sobre o CBAM ainda é limitado no Brasil, o que representa um risco significativo para o setor. Terei prazer em oferecer um webinar gratuito de uma hora para seus leitores, para ajudá-los a entender os fundamentos do CBAM e preparar seus negócios.
Holanda:
m.duits@dubrink.com
Brasil:
contato@bio3consultoria.com.br