Em julho de 2025, o Vice-Presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, participou de um encontro com representantes da indústria nacional de parafusos e similares, conforme registrado nesta revista (https://www.calameo.com/read/006171191ce559e477635, pág. 44). Ainda que não fosse pauta oficial da reunião, o setor aproveitou a oportunidade para expor ao ministro a urgência em proteger a produção local de componentes metálicos semiacabados — já bastante fragilizada, sobretudo diante da concorrência chinesa.
No ano passado, a importação de parafusos e similares atingiu o recorde de US$ 1,2 bilhão, sendo que quase US$ 338 milhões desse total correspondem a produtos Made in China. E não para por aí...
As importações chinesas para o setor de autopeças cresceram 15% em 2025, e nesse grupo certamente estão incluídos parafusos, porcas e arruelas utilizados, por exemplo, em bombas d’água, conjuntos de freios e outros sistemas automotivos.
Há alguns anos, muitas empresas — como a nossa, com quase 60 anos de história e gestão já entrando na terceira geração — foram obrigadas a adotar um modelo misto de atuação, ou seja, operar simultaneamente como fabricantes e importadoras. Sorte, pois, do contrário, já teríamos fechado as portas.
Sabemos que o agronegócio e a mineração, por exemplo, têm grande peso nas exportações brasileiras, mas qual é, de fato, a participação desses setores na geração de empregos formais? Além disso, durante a pandemia, a produção interna de itens como parafusos teve papel crucial — e poderia ter contribuído ainda mais, não fosse a escassez de matéria-prima e de diversos outros insumos que poderiam ter sido fabricados localmente.
Recentemente, no podcast Reconversa (www.youtube.com), ao comentar sobre um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, Alckmin revelou ter ouvido o seguinte conselho: “Não deixe desindustrializar! Veja o que vem acontecendo com a Europa.”
Em meio à interminável discussão sobre o que fazer para salvar a indústria nacional, além da redução da jornada 6 x 1, os parafuseiros clamam por proteção e/ou pela diminuição da desigualdade concorrencial — antes que seja tarde.
Fontes:
www.autoindustria.com.br /
www.gov.br/mdic /
www.youtube.com/@reinaldoazevedo
Ricardo M. Castelhano
Advogado e CEO da Jomarca Industrial de Parafusos Ltda.
ricardo@jomarca.com.br