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Entrevista
20/01/2015 09h27

 Entrevista

 
 

Luiz Imparato, gerente da Höganas e especialista em veículos elétricos

  Locação de automóveis e investimentos em automóveis híbridos ou elétricos são as apostas para o futuro segundo o entrevistado  

 

“As pessoas precisam começar a se perguntar: eu preciso do uso ou da posse? Hoje gastamos mais para manter o carro do que para usá-lo. É preciso mudar esse pensamento para progredir”, afirmou Luiz Imparato, nosso entrevistado desta edição. Imparato é Economista e Administrador pela PUC-SP, possui extensão universitária em Administração de Transportes pela Mauá e soma 30 anos de experiência na indústria automobilística, 20 deles na Mercedes-Benz e 10 na Volkswagen. Hoje, ele atua como gerente na Höganas, empresa sueca que produz pós-metálicos para diversas aplicações, inclusive na indústria de autos, onde um deles é aplicado na fabricação de motor elétrico; e realiza pontualmente apresentações sobre o tema em universidades.

Revista do Parafuso: Quando surgiu a constatação de que a locação de carro, ao invés da compra, é o melhor a ser feito?

Luiz Imparato: Em 2007, enquanto estava na Volkswagen, tive que formular uma apresentação que englobava automóveis, e – na época – minha área de atuação era somente caminhões e ônibus. Foi quando comecei a identificar uma série de coisas que não estavam claras, como a maneira que utilizamos o carro no mundo. As pessoas gastam muito para mantê-lo. Abrir mão da posse a passar a usar somente quando precisa, pagando as horas que realmente se usa, é uma solução para economia de dinheiro e espaço.

Você pode afirmar então que o futuro é a locação do carro?

As pessoas vão deixar de comprar os carros porque o custo pra se ter um será cada vez maior. Inclusive, já estão deixando. O meu avô, por exemplo, não pagava estacionamento, seguro, multas. Meu pai vendeu carros por valor maior do que ele havia comprado, algo muito comum nos anos 1960. Isso porque não tínhamos um   excesso de oferta como temos agora. Hoje, ao comprar um automóvel, na hora em que colocá-lo em meu nome, custará 15% menos.

Consequentemente, se vamos alugar, teremos empresas para locar carros, e a indústria automobilística foi desenhada para vender no varejo, não para o atacado. Imagina o poder de barganha que uma locadora tem ao escolher esses carros e por qual valor poderão revendê-los depois. Esse será um dos primeiros abalos para a indústria.

Temos bastante demanda?

O setor de locação está em crescimento no Brasil e no mundo, e é rentável. Nos EUA e Europa já é uma realidade, principalmente em cidades onde se têm mais problemas de espaço. Hoje o carro alugado vem da demanda empresarial e turismo. As pessoas físicas alugam muito pouco, já que estão ligadas à posse. O que desmotiva você de possuir um carro é ter um bom transporte público. Por que ter automóvel é uma conquista hoje? Pois o transporte está abarrotado. Mas esse quadro já está mudando. Em 2012, foi lançado um livro cujo titulo é: Como Viver em São Paulo sem Carro. Não sou o único quem diz isso. Reuni uma série de alertas em uma apresentação há poucos anos atrás. Se fui capaz de reunir, por que as montadoras não fazem isso e analisam o que deve ser mudado?

Um Nissan, modelo Versa custa US$ 12,5 mil em NY, EUA, valor este que pode ser pulverizado em 18 meses somente com os custos de estacionamento

Existe relação direta na elevada locação e altos níveis de desenvolvimento?

Quanto mais adensada for uma cidade, quanto maior for a sua renda per capita, mais fértil é o caminho para a locação. Ela vai se justificar e existir nas grandes cidades, pois, a verticalização, a insuficiência do sistema viário e a elevação do custo de estacionamento nos levará a isso.

Carro elétrico: é uma tendência ou conceito? Por que são poucos presentes?

Comecei e me preocupar com combustíveis alternativos depois que sai da Volkswagen e trabalhei com uma fabricante de células a combustível, empresa canadense que não existe no Brasil. Célula a combustível é o futuro do gerador de energia dos carros.

Os veículos híbridos e elétricos são uma tentativa de reduzir as emissões. Não vão resolver um problema insolúvel pra indústria automobilística que é o espaço, ainda mais que, nos últimos governos, ela sempre incentivou a compra.

A presidente Dilma concedeu isenção de algumas taxas somente para os híbridos, não para os elétricos. Vemos poucas unidades deles porque, além de não existir mais investimentos (pois explorar o petróleo é um negócio muito lucrativo) é um carro que quase não consome peças, somente amortecedores e pastilhas de freio, e o modelo da indústria automobilística foi desenhado pra vender peças.

Como que ele pode emplacar com a carência de energia aqui no Brasil?

O carro elétrico, para ser carregado, consome 7 vezes menos do que um chuveiro elétrico. Ou seja, se o maior problema do carro elétrico é a falta de energia, isso está incorreto, pois podemos ter outras fontes de energia. Estamos acostumados a entender energia elétrica como essa que vem pelos cabos. Esse é outro ramo de negócios muito lucrativo, mas está com os dias contados. Em alguns países, as casas têm sua própria energia, gerada via solar, e vende o restante para a companhia.

Nós não temos problemas. Temos quando não queremos fazer. Das 14 formas conhecidas de se produzir energia por hidrogênio, o Brasil tem potencial para 13. É possível fazer hidrogênio do diesel, álcool, biogás, da gasolina, energia hidroelétrica e até do esgoto. Também temos muito sol. Hoje estão prontos parques eólicos em Natal, Fortaleza e Rio Grande do Sul.

O carro elétrico, para ser carregado, consome 7 vezes menos que um chuveiro elétrico.

Quanto à preocupação do abastecimento, algumas montadoras podem disponibilizar postes de energia – que possuem preço médio de R$ 10 por recarga - ou o carro pode ser carregado por meio de uma tomada 110 v ou 220 v. Na primeira, o tempo de carregamento é de 12h e na segunda, 8h. A carga dura cerca de 160 km. Já temos mais de 6 milhões de carros elétricos no mundo. A forma de pensar da tradicional indústria automobilística não condiz com os padrões de hoje.

Além dos impostos, manutenção e depreciação, o que mais assombra o dono do carro?

Estacionamento e seguro. O primeiro carro que coloquei no seguro era só informar a placa, chassi e a cor do veículo. Hoje, eles querem que você responda qual o seu perfil. Você tem garagem, onde mora, trabalha? Eles criaram um algoritmo para fazer o seu risco, pra poder cobrar um pouquinho mais com justificativa. E a gente, infelizmente, não tem alternativa.

Suponhamos que você mora em uma casa, o lugar que guarda o carro não poderia ser um jardim, uma quadra, uma sala maior? Não, é o lugar do carro. De 15 a 25% de tudo o que se projeta em engenharia civil é pra acomodar carro. Shopping, apartamento, farmácia, escola, entre outros. E isso custa.

Explique o que são os Dream Cars.

São os carros de luxo alugados. Se a gente pegar o numero de títulos de revistas dos automóveis de alto padrão, veremos a quantidade de leitores que almejam esse tipo de carro. A locação também serve para este setor. Já se foi o tempo em que aluguel de carro era só o modelo popular.

Esta tendência começou na Europa, depois EUA e agora no Brasil. Em Gramado, já tem uma grande locadora Dream Car. Você aluga uma Ferrari, Camaro ou Porsche. Em São Paulo, já tem três empresas, a Mercedes-Benz é uma delas.

 
Luiz Imparato

 

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