Empresa Edições on-line Fale Conosco
Edição 41
Busca::..
Edição 79
Edição 78
Edição 77
Edição 76
Edição 75
Edição 74
Edição 73
Edição 72
Edição 71
Edição 70
Edição 69
Edição 68
Edição 67
Edição 66
Edição 65
Edição 64
Edição 63
Edição 62
Edição 61
Edição 60
Edição 59
Edição 58
Edição 57
Edição 56
Edição 55
Edição 54
Edição 53
Edição 52
Edição 51
Edição 50
Edição 49
Edição 48
Edição 47
Edição 46
Edição 45
Edição 44
Edição 43
Edição 42
Edição 41
Edição 40
Edição 39
Edição 38
Edição 37
Edição 36
Edição 35
Edição 34
Edição 33
Edição 32
Edição 31
Edição 30
Edição 29
Edição 28
Edição 27
Edição 26
Edição 25
Edição 24
Edição 23
Ediçao 22
Edição 21
Edição 20
Edição 19
Edição 18
Edição 17
Edição 16
Edição 15
Edição 14
Edição 13
Edição 12
Edição 11
Edição 10
Edição 09
Edição 08
Edição 07
Edição 06
Edição 05
Edição 04
Edição 03
Edição 02
Edição 01
empresa
contato
Especial
19/09/2013 11h34

 Especial

 
Na porta da UTI, o mercado de máquinas está saindo ou entrando?
 
De um lado, a taxação sobre as máquinas importadas.
De outro, a maior intenção de compra do mundo
 
Em momento complexo de expansão no país, em que se tem as – já cantadas em verso e prosa – obras de infraestrutura, competições esportivas, setor de Oil &Gas bombando negócios e outros, trouxemos uma breve análise de duas situações contraditórias: numa delas, a velha ideia que para proteger a indústria brasileira temos que fechar-nos para a importação; por outro lado, o mercado de máquinas promete, mesmo após a derrubada de Ex-Tarifário, regime que permitia as indústrias de fi xadores comprarem máquinas com menor carga tributária.
 
Proteção desprotege
 
Na mitologia grega, a deusa da cura chama-se Panaceia. Nos dias atuais, esse termo está muito presente em textos, figurado como a “planta que cura todos os males”.  No Brasil, muitos acreditam que a Panaceia para salvar fábricas está no velho método de inviabilizar a importação, e que isso nos protegerá e nos dará o tempo para modernização e retomada da competitividade. Todos sabem que, em décadas passadas, o setor de informática, por exemplo, teve essa “proteção”, nos atirando às trevas da TI.
 
O ganho para esta abordagem ocorre num momento em que a fabricação
brasileira de fixadores acaba de sofrer mais um duro golpe com o fim do Ex-Tarifário para compra de máquinas que estampam e laminam parafusos e outros. Sendo assim, em cada compra de máquinas dessa modalidade será cobrado taxa de 14%, em lugar a anterior de 2%. Em outras palavras, o comprador terá que pagar R$ 12 mil a mais em cada compra de R$ 100 mil. A medida circula desde 14 de agosto passado através do Sinpa (Sindicato das Indústrias de Parafusos e Similares), devido ao pedido da empresa Prensas Schuster, que fabrica máquinas similares. Consultada, a Schuster não se manifestou até o encerramento dessa edição.
 
Tendo como exemplo o setor automotivo, nas demandas de parafusos, em 2012, o modelo Gol da Volkswagen teve produção de 293 mil unidades. Somando 1,2 mil fixadores por unidade, nós chegamos a 351 milhões no total. Considerando que a produção anual brasileira está em 3,4 milhões de carros – e não sendo apenas em carros que se usam parafusos – a tentativa de concentrar o fornecimento de máquinas não ajudará ninguém. A pergunta que se faz é: “Quem ganhará com isso”? Tirar dinheiro do setor privado e entregar ao “eficiente poder público” é o que mais tem afetado a indústria local, o que inviabiliza produzir aqui.
 
Em junho passado, no evento que marcou os 10 anos da Abimei, Associação das Importadoras de Máquinas e Equipamentos, seu presidente, Ennio Crispino, apresentou dados que mostram que as exportações brasileiras sofreram contração de 5% em 2012, com uma mera participação de 1,3% no comércio mundial, enquanto as importações caíram 2,1%. No ranking mundial de competitividade, o Brasil desceu em um ano, de 46º para 51º lugar, de acordo com o International Institute for Management Development (IMD), uma das maiores escolas de negócios do mundo. Entre os Brics, só a África do Sul está pior, caindo de 50º para n53º lugar. A China subiu de 23º para 21º, a Rússia foi do 48º para 42º. A Índia está em 40º. Segundo Crispino há um clamor intencional contra as importações, que pode ser contrariado por dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), mostrando que desde abril, o Brasil vem perdendo posições no comércio internacional,
apesar de importar menos.
 
Ainda segundo o novo diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, medidas protecionistas como “salvaguarda” da indústria nacional são um “passo em falso”. Em agosto último, Azevêdo, primeiro brasileiro a alcançar o cargo, anunciou a entrega do posto de vice-diretor para Yi Xiaozhun, até então embaixador da China na OMC. Com isso, o gigante asiático – o maior cliente brasileiro, e que comprou R$ 41 bi em 2012 – também passa a ter um cargo de alto escalão na OMC, assegurando a ele um papel essencial nas regras do comércio mundial.
 
 
Industrial brasileiro lidera pesquisa na intenção de compras de máquinas
 
O International Business Report (IBR), realizado pela Grant Th ornton, empresa de Middle Market, é uma pesquisa realizada há 21 anos, que tem como objetivo fornecer informações sobre opiniões e expectativas de 12,5 mil empresas em 44 economias, anualmente. Nela, são entrevistados os principais executivos. O resultado coloca o Brasil como o país onde os executivos mais planejam investir na compra de máquinas nos próximos 12 meses. A pesquisa diz que 67% deles direcionaram investimentos para a área, 23% a mais que no trimestre anterior e bem acima da média global de 35%.
 
“É um sinal de que os brasileiros enxergam as melhoras em infraestrutura como meio de garantir um alto nível de competitividade. Reinvestir uma alta porcentagem do lucro é sempre uma boa decisão de negócios”, diz Leandro Scalquette, sócio da Grant Th ornton Brasil. Depois do Brasil, aparecem no ranking o Peru (61%), Turquia (58%), Lituânia (56%) e Nova Zelândia e África (ambos com 50%). Regionalmente, a América Latina lidera no quesito com 55%, acima dos países Bálticos (47%), dos Brics (43%) e da América do Norte (40%). Na contramão, Vietnã (20%), Estados Unidos (40%), Reino Unido (42%) e Emirados Árabes (50%) são os que esperam investir menos.
 
As áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e novas plantas são outras em que os empresários estão de olho. Quase metade deles (43%) tem intenção de investir em P&D, ocupando o 5º lugar, e 27% dos brasileiros planejam fazer investimentos em novas plantas, o maior nível desde o início de 2012. Sob essa perspectiva, fomos ao encontro de algumas importantes empresas no setor.
 
Na condição de fornecedora da indústria de fasteners no Brasil e na América do Sul, J. B. Graef declarou: “acreditamos que a estimativa de investimentos – devido a necessidade de modernização (troca de máquinas antigas/obsoletas) e de ampliações da capacidade produtiva – será em torno de US$ 100 milhões em 5 anos. Se ocorrer substituição de importações de fixadores, esse numero pode dobrar. Acreditamos na modernização das indústrias, mas, atualmente, o mercado está claramente direcionado para ampliação/diversificação na produção, salvo raras exceções. No Brasil, modernizar o parque fabril do fixador não é prioritário. Não raro, encontrarmos muitas máquinas com mais de 30 ou até 40 anos ainda em operação”, disse.
 
“Por outro lado, a politica tributária para importações atinge máquinas e equipamentos sem similar nacional de forma indiscriminada, onerando investimentos na eficiência, que poderia gerar a substituição de fixadores importados, ao reduzir os custos das fabricantes. É muito frustrante, pois isso cria uma enorme estagnação tecnológica e operacional, ntraduzindo-se em custos maiores e piora da nossa competividade”, concluiu Graef.
 
“Nossos investimentos foram de mais de R$ 3 milhões na fábrica, e a estratégia é investir em máquinas 5% sobre o nosso faturamento anual. Estamos diversificando nossa produção com a introdução de juntas de vedação industrial, que já estão sendo produzidas na planta industrial no bairro de Itaquera, capital paulistana”, declarou Marcelo Turco, general manager no Brasil da Cifal-Lamons Brasil.
 
 
Nesse cenário, a Metalbrax confirma a pesquisa, com planos de investimento de R$ 1 milhão nos próximos n12 meses em compras de máquinas. Segundo Marcos Fernandes, CEO, a atuação da Metalbrax ocorre em setores de expansão plena, como máquinas pesadas, implementos rodoviários, transmissão de energia, além de gás e petróleo. Tudo isso tem demandado investimentos acima do valor citado, considerando que a sede, em Guarulhos, SP, é hoje um misto de fábrica e canteiro de obras devido à expansão contínua. “Buscamos ampliar 100% de nossa produção através de novos contratos, mas as difi culdades com preços, financiamentos, taxas e concorrência são um problema constante”, concluiu Fernandes.
 
Segundo Michael Kleber, CEO da New-Fix, “ainda estamos investindo em máquinas, as últimas chegarão ao final de setembro deste ano. Temos intenção e necessidade de investir em mais uma linha de tratamento superficial (zincagem), para mais de 300 toneladas/mês. Pretendemos adquirir mais 15 laminadoras de rosca devido à aquisição de 30 prensas, ainda em fase de entrega. Com esses investimentos, queremos alavancar a produção em mais de 30% em 2014, dos quais 10% serão de novos produtos, como parafusos estruturais para móveis, parafusos cabeça francês, entre outros. O grande entrave, que praticamente fabricamos 95% dos produtos que comercializamos, ainda são os importados, porém, a valorização do dólar deverá reativar a produção local, e estamos nos preparando para essa retomada, saindo na frente de quem sempre priorizou importar”, concluiu.
COMPARTILHE
CONTEÚDO DA EDIÇÃO

TAGS:
revistadoparafuso@revistadoparafuso.com