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Entrevista
14/01/2013 03h13

 ENTREVISTA

 

Conselheiro do Sindipeças fala sobre a
indústria de autopeças
 
Elias Mufarej, há 20 anos no corpo do sindicato, apontou quais os maiores desafios neste segmento e as expectativas da entidade para 2013
 
Formado em administração e direito, Elias Mufarej tem larga experiência na indústria de autopeças. Começou sua carreira na Cofap e passou por empresas como a Wapsa, posteriormente adquirida pelo grupo Bosch, onde trabalhou por 13 anos; Cibié Faróis, empresa do grupo Valeo, 14 anos; Metagal, fabricante de retrovisores, 10 anos; Sogefi/Filtros Fram, 10 anos. Hoje, atua como diretor-geral da Fiamm Latin America Componentes Automobilísticos Ltda, maior fabricante de buzinas da América do Sul - localizada em São Bernardo do Campo/SP; é conselheiro, há 20 anos, do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e membro do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva).
 
Revista do Parafuso: No que consiste o Sindipeças e quais as suas atividades?
Elias Mufarej: O Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) atua diretamente no desenvolvimento e fortalecimento do setor, que reúne empresas de pequeno, médio e grande porte. Além da sede em São Paulo, há representação regional nos estados onde há produção de autopeças, como Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Há também um escritório em Brasília, responsável por importantes contatos com os Poderes Executivo e Legislativo.
 
Quantos associados possui?
Hoje são cerca de 500 associados, de capital nacional e estrangeiro, com necessidades específicas mas com um ponto em comum: fornecem para todas as montadoras brasileiras e para o mercado de reposição, que supre as demandas de uma frota de mais de 28 milhões de veículos. E exportam para mais de 180 países.
 
Na sua opinião, quais os maiores desafios neste segmento
de autopeças?
Atuo como CEO na Fiamm Latin America e sempre estive na área comercial, trabalhando no mercado OEM, na reposição e na exportação. Na Fiamm, venho desenvolvendo um grande desafio em atingir o mercado na América Latina, atendendo às expectativas comerciais da matriz na Itália. Como sofremos uma grande invasão de produtos asiáticos com baixa qualidade e preços muito baixos, a multinacional italiana busca seu lugar no mercado mostrando qualidade, tecnologia e segurança no pós-venda.

As buzinas Fiamm foram as primeiras a receber a certificação de qualidade homologada pelo Inmetro, e atuam fortemente como equipamentooriginal nas principais montadoras do Brasil e do mundo. Por se tratar de um item de segurança, a fabricante italiana alerta os autoelétricos, mecânicos, vendedores de autopeças e toda cadeia comercial sobre a importância de sempre utilizar um item de qualidade com o intuito de evitar acidentes no trânsito.
 
 
 
Explique o que é o regime Inovar-Auto e quais os benefícios que ele traz para a indústria no geral e para o setor de peças.
O programa Inovar-Auto é um conjunto de medidas que pretende incentivar o desenvolvimento tecnológico da indústria, fortalecer os fabricantes e fornecedores nacionais e atrair muitos investimentos estrangeiros para o país. O programa abrange, além das empresas que já produzem no Brasil, as multinacionais com projetos de instalarem unidades fabris por aqui.
 
Com duração entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2017, o Inovar-Auto conclui, segundo o decreto nº 7819 de 03 de outubro de 2012, que todos os carros partem tributados com os 30 pontos percentuais extras de IPI. Só que veículos com 70% ou mais de nacionalização (que cumpram seis metas fabris em 2013 e oito até 2017), importados do Mercosul ou dentro da cota de importação do México, livram-se de cara dessa sobretaxa. Quem importa carros de fora dos países com acordo comercial bilateral, como a coreana Kia, a alemã BMW ou a sueca Volvo, pode trazer ao Brasil uma média de veículos calculada de acordo com o que foi comercializado entre 2009 e 2011, até atingir o máximo de 4.800 unidades por ano, sem a taxação extra. O que passar disso terá os 30 pontos percentuais incluídos no preço final do modelo.
 
Qual a sua visão sobre o mercado de autopeças no Brasil e no mundo?
Nesse momento, para o setor do mercado de reposição, todos os segmentos de produtos vêm sofrendo essa invasão de importados de baixa qualidade. Graças à nova regulamentação do Inmetro, todos os importadores e o comércio em geral que trabalha com esses produtos
precisarão de certificação adequada ou estarão fora do mercado em breve.
 
No mercado de equipamento original, há esperançaque as novas diretrizes do projeto Inovar, trazido pelo governo atual, traga bons resultados e benefícios à nossa indústria. Certamente o projeto incentivará as montadoras de veículos a buscarem mais inovações em tecnologia e redução de emissões de poluentes no processo de fabricação, e - ao longo do tempo - beneficiará a indústria de autopeças como um todo.
 
Uma iniciativa similar que o grupo do GMA vem desenvolvendo é o projeto do Carro 100% e Caminhão 100%, que visa incentivar a manutenção preventiva dos veículos da frota circulante brasileira, almejando o aquecimento da demanda na cadeia comercial do setor e o benefício imediato ao consumidor brasileiro para trafegar com mais segurança.
 
Quais as perspectivas da entidade para 2013?
No decorrer da próxima década, estará mais do que nunca em evidência a questão da competitividade. Com os novos players no mercado provindos da Índia e China principalmente, a tendência é que as empresas terão que investir fortemente nas inovações tecnológicase estarem adequadamente certificadas no quesito qualidade paracombater essa concorrência desleal. Sobre as tendências do mercado de autopeças para 2013, a partir do 2º trimestre há possibilidades de melhorias com o apoio do projeto Inovar, mas os números devem permanecer equivalentes a 2012 com perspectivas de crescimento em volume de vendas.
 
Gostaria de acrescentar ou ressaltar algum ponto?
Graças à nova regulamentação do Inmetro, com apoio e força das entidades do setor, estamos lutando para combater a pirataria e os produtos de baixa qualidade e mão de obra escrava. Os dias da competição desleal terão um fim e quem ganha com isso é o consumidor
brasileiro, que, consequentemente, aquece a economia interna beneficiando toda nossa indústria. 
 
 
Resultados do setor 
Segundo levantamento divulgado no site do Sindipeças, o faturamento do setor de autopeças no acumulado de janeiro a setembro de 2012 caiu 15,4% sobre o de igual período de 2011, em reais deflacionados. Em setembro, sobre agosto, a queda foi de 10,9%. Esses são resultados da pesquisa mensal com 87 empresas associadas que representam 28,9% do faturamento total da indústria de autopeças no País. Houve queda em todos os segmentos de mercado: de 19,2% para as montadoras; de 11,3%, reposição; 10,1%, exportações; e 18,9%, intrassetoriais.
 
Aumenta o saldo negativo
O déficit brasileiro de autopeças cresceu 22,9% no acumulado de janeiro a setembro de 2012 e chegou a US$ 4,4 bilhões. As importações, de 144 países, somaram US$ 12,33 bilhões, 3% maiores que as registradas em iguais meses de 2011. As exportações, para 180 países, caíram 5,5%, para US$ 7,94 bilhões. A Argentina foi o principal destino de nossas exportações e o Japão, o primeiro da lista de exportadores de autopeças
para o Brasil.
 
Elias Mufarej
 
 
 
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CONTEÚDO DA EDIÇÃO

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