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Entrevista
20/09/2012 02h46

ENTREVISTA

 

Instituto Tecnológico de Fixação é recriado e
pretende voltar às atividades em 2012

Com objetivos semelhantes à primeira estreia, o ITF vem para estimular o aumento de pesquisas e o desenvolvimento tecnológico do setor. Quem nos conta os detalhes é o conselheiro Cláudio Peçanha

 

Claudio Peçanha, engenheiro civil e economista, é Membro do Conselho de Administração da Armco Staco S.A. Indústria Metalúrgica. Seu primeiro contato com a indústria de fixadores foi há 42 anos, quando trabalhava como analista de custos no extinto CIP (Conselho Interministerial de Preços), no Ministério da Fazenda do Rio de Janeiro. Em 1971, veio para São Paulo e começou a trabalhar na Metalac, como Controller Industrial, com a função de implantar um sistema de custeio para os milhares de tipos de parafusos fabricados.

Em 1972, foi contratado pelo Sinpa (Sindicato da Indústria de Parafusos, Porcas, Rebites e Similares do Estado de São Paulo) para coordenar a implantação do primeiro Acordo Setorial de Preços, o que significava a montagem de uma grande matriz de estruturas de custos que abrangesse as maiores empresas do setor na época: Mapri, Metalac, Micheletto, Fibam e Fanaupe. A partir do ano seguinte, trabalhou em diversas empresas como Hidroservice, Copersucar, Grupo Atalla, BNDES, atéque, em 1989, voltou para o setor de fixadores como presidente do Conselho de Administração da Metalac. Também foi presidente do Sinpa, transformando-o, em sua gestão, em sindicato de âmbito nacional. Naquela época, presidiu também a inauguração do ITF (Instituto Tecnológico de Fixação), que funcionava dentro do parque industrial da Metalac, em Sorocaba. Em 1996, tornou-se sócio-diretor de empresas de gestão de fundos de Venture Capital e Private Equity.

Hoje, além de atuar como conselheiro está à frente da implantação do novo ITF, que visa promover o bom desenvolvimento do setor através de uma instituição sem fins lucrativos. Leia os detalhes na entrevista a seguir.

Revista do Parafuso - Quais foram os maiores desafios
e conquistas que você passou no ramo dos fixadores?

Cláudio Peçanha - Quando voltei para o segmento no final da década de 80, a indústria brasileira sofria constantemente com as diversas crises monetárias decorrentes do forte surto inflacionário dominante. Éramos um País totalmente fechado, com a indústria nacional fortemente protegida contra importações e apenas cinco ou seis montadoras de veículos com fábricas no Brasil, sendo que a geração de tecnologia aqui era praticamente inexistente.                                                    

A Metalac era a única fábrica de parafusos que ousava exportar, mesmo assim, parafusos standard, embora com algum conteúdo tecnológico e com a marcaTELLEP estabelecida e reconhecida como sinônimo de qualidade. Resolvi, então, mudar o logotipo da empresa e adicionar “alta tecnologia em fixação”. Nunca me esqueço de uma entrevista em um programa de televisão em que o entrevistador, em tom de deboche, me instigou logo na minha apresentação, sobre o porquê eu não me apresentava como um “parafuseiro” e como ousava dizer que o parafuso teria “alta tecnologia”! Este então passou a ser meu grande desafio, junto a todo o setor, como presidente do Sinpa.

Com a abertura iniciada no governo Collor, eu constantemente incitava nossos concorrentes a contratar mais engenheiros, a viajar, a buscar, principalmente, nas montadoras de veículos do Brasil, porque esta era a forma de competir com os produtos que começavam a nos invadir, provenientes da Coréia e Taiwan.

Minha maior conquista talvez tenha sido o prêmio que recebi em Detroit, em 1994, na sede da General Motors, como o Melhor Fornecedor de Fixadores da GM, em nível mundial. A única fabricante de parafusos a receber aquele prêmio! Os troféus foram expostos por um tempo na fábrica e todos os nossos colaboradores então receberam uma moeda especialmente cunhada em comemoração ao acontecimento. É importante ressaltar que a grande razão daquele prêmio era um fixador especial, desenvolvido pela Engenharia e P&D da Metalac, junto com a Engenharia da GM do Brasil e da Opel na Alemanha.

Explique o que é o ITF, como e quando surgiu a ideia
de instituí-lo.

O ITF (Instituto Tecnológico de Fixação) será uma instituição sem fins lucrativos, organizada para promover o desenvolvimento e a difusão temática da tecnologia de fixação aos participantes e parceiros deste importante setor. Em 1985 foi criada a primeira versão do instituto, com objetivos semelhantes ao que hoje pretendemos recriar. Um amplo trabalho de divulgação se processou em todo território nacional através de palestras, cursos de qualificação a vendedores, cursos de capacitação e de especialização aos engenheiros das principais montadoras de equipamentos e de veículos, principalmente no que se refere à tecnologia para parafusos e elementos roscados de alta resistência. Grande parte das pessoas que trabalharam no ITF há vinte anos estará participando agora também.

Quando o novo ITF começa a operar?

Devemos colocar em operação o mais rápido possível, ainda em 2012, com a elaboração dos projetos necessários para a aquisição e instalação dos equipamentos e a montagem das equipes técnicas.

Quem serão seus componentes?
Eu estarei participando, como parte do Conselho, enquanto Alfredo Colenci Jr., Lídio Andrade, Rogério Costa, Ivar Benazzi e Erly Syllos estarão liderando a instituição que deverá agregar a maior quantidade possível demembros da cadeia produtiva e acadêmica do País, visando a excelência dos seus serviços e trabalhos de pesquisa.

Quais serão suas atividades?

Estudos sobre análise de falhas, relaxamento de juntas e perda de carga por vibração, fragilização por hidrogênio, corrosão sob tensão, definição de parâmetros de aperto, geração de tecnologia de fixação e de conhecimento nessa área.

Fale sobre a estrutura material (sede, equipamentos,
localização etc.).

A sede será provisória, está em fase de instalação por um período de três anos, mas há possibilidades de ter local próprio, junto a outros centros de pesquisa, dentro do novo Parque Tecnológico em Sorocaba, que foi inaugurado na primeira semana de junho de 2012. Quanto aos equipamentos, o ITF terá máquina de torque tensão, bancada vertical para testes de juntas reais, máquina de vibração transversal, máquina de fadiga e toda a instrumentação necessária para análise de juntas, torquímetros, transdutores e softwares de elementos finitos e análise de deformações.

Para quem se destinam estes serviços?

Aos constituintes da Cadeia Produtiva de Fixação, ou seja, fornecedores de matérias-primas, ferramentas, tratamentos térmicos, superficiais e de recobrimentos específicos, ferramentas para conformação, calibradores, fixadores e de junções; distribuidores e aplicadores finais, pesquisadores acadêmicos, sistemas de aquisição de dados e informações e de difusão tecnológica. Tudo comgarantia de confidencialidade e ética.

Quais as vantagens que este centro poderá trazer ao setor?

A especialização, capacitação, integração, sistematização empresarial e setorial, disponibilização de soluções e o fomento de novas pesquisas visando a atuação em elevados patamares de competência.

Este trabalho é realizado em outros países? Como é feito?

Sim. Nos EUA, por exemplo, temos o IFI (International Fastener Institute) que, mesmo não tendo um laboratório próprio, trabalha com suporte de outros laboratórios e pesquisadores. Já na Alemanha, há o sindicatoda indústria de parafusos que, com o auxílio do instituto tecnológico de Darmstad, executa uma série de trabalhos de interesse coletivo e disponibiliza esses resultados aos associados.

Para finalizar, o que o ITF pode pronunciar sobre fixação no mundo acadêmico?

Os países desenvolvidos, como os EUA e o Japão, formam especificamente Engenheiros de Fixação. Porém, a maneira como se deu a industrialização no Brasil,a partir do chão de fábrica e não da Engenharia, e ainda menos da Universidade, ensejou no empresário a ideia recorrente do “fazer mais” do que do organizar para lucrar com o “fazer”. Assim, a sistematização do conhecimento e a organização do capital intelectual ainda estão por merecer um grande avanço por aqui.

Um dos membros do ITF, o engenheiro Alfredo Colenci, ressaltou em sua tese de doutorado a necessidade de se sistematizar o conhecimento da tecnologia, indicando existir um importante e grave gap na formação de engenheiros e tecnólogos das principais universidades brasileiras, que, mesmo depois da divulgação da norma VDI 2230, em 1978, ainda insistem em apresentar conceitos de épocas anteriores e que tratam apenas de poucos casos de dimensionamento de fixadores para aplicações específicas. O ITF pretende contribuir nesta direção, adotando práticas e formulando conceitos que serão benéficos à toda Cadeia Produtiva do setor.


Cláudio Peçanha
Engenheiro civil, economista e membro do Conselho
de Administração da Armco Staco S.A.
claudiopecanha@gmail.com 

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