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Entrevista
28/02/2011 02h52

Entrevista

 

Avanços para o setor

 

O Engenheiro Mecânico, Serge Zerey, com ampla experiência no mercado internacional, especialmente no segmento de fixadores, hoje presta serviços de assessoria e consultoria para empresas que desejam expandir os negócios internacionalmente. Ele também trabalha no desenvolvimento de um software (ERP) para a produção e comércio de elementos de fixação.

 

 

Engenheiro mecânico com MBA em marketing industrial, Serge Zerey, 59, atuou na Metalac onde foi diretor comercial, participou da criação do primeiro  centro de desenvolvimento técnico, o *ITF (Instituto de Tecnologia de Fixadores, extinto). Depos, criou a Pitch Marketing Bureau que, por dois anos, vendeu produtos de vários fabricantes brasileiros para mais de 15 países da América do Sul e do Norte, Europa e África do Sul. Em 1992, foi gerente de exportação da Brighton Best, nos EUA, onde, entre outras ações abriu as filiais da Argentina e Brasil. Em 1996, foi para a Fanaupe – (Fábrica Nacional de Auto Peças), inclusive em uma parceria com a Fontana (fabricante internacional de fixadores). Em  1998, assumiu a presidência da Seeger Reno (Diadema, SP). Depois, na Fontana, foi responsável por todas as Américas, onde participou do acordo com a Metalúrgica Hassmann, criando a Fontana do Brasil.

Em 2010, decidiu iniciar um trabalho de consultoria, deixando a Fontana em maio, e o Grupo Fontana, em setembro, que por sinal se tornou seu primeiro cliente. Hoje, preside a Viti North América e a Viti do Brasil,  empresa de consultoria internacional, especializada no ramo da fixação industrial, serviço destinado para distribuidores e fabricantes que buscam expandir, exportar, importar e ter suporte em cada país.

Também está engajado em uma atividade conjunta com um software (ERP), desenvolvido especificamente para fabricantes e distribuidores de parafusos e similares.

Nesta entrevista, Zerey expõe opiniões e conhecimentos adquiridos ao longo de sua carreira, onde afirma que “o Brasil, no ramo de parafusos, sem dúvida, é a bola da vez”. Acompanhe!

Revista do Parafuso (RP) – Quando e onde iniciou suas atividades profissionais?
Serge Zerey (SZ) – A primeira empresa no ramo da fixação em que trabalhei foi a Rebites Pop, em 1978, e atuei como gerente de marketing.

RP – Quando retornou ao Brasil? Veio para ficar?
SZ – Não vim de mudança para o Brasil, mas eu nunca me separei daqui. Apesar de ter saído em 1991, tive um retorno entre 1996 e 1999, e no resto do período, mantive fortes laços com os clientes, fabricantes de fixação e distribuidores.

RP – Por também atuar no exterior, analisa que a indústria brasileira mudou muito? Quais os principais pontos?
SZ – A indústria nacional cresceu em capacidade de produção e diminuiu em tecnologia de aplicação.

RP – O que pensa sobre o segmento de fixação nacional?
SZ – Infelizmente, o segmento de fixação está a deriva; não existe unidade, avaliação crítica das capacidades, e tão pouca preocupação das aciarias em desenvolver este mercado. Todavia, isso faz a importação de produtos reduzir os volumes de aço, ocasionando o aumento de preço, e pior, o redirecionamento da produção para produtos metalúrgicos de menos teor técnico e de mais rentabilidade (aço para construção).

As montadoras continuam a criar “monstros”, pedindo aos fabricantes internacionais virem ao Brasil, quando na verdade, elas deveriam ter programas de desenvolvimento local para permitir a evolução e crescimento das indústrias genuínas.

Outro fator é a falta de um credenciamento técnico das empresas e de laboratórios de fixação, que fazem os custos subirem desnecessariamente. Não adianta sermos todos ISO 14000 ou TS, se em nossas fábricas temos, quando muito, um engenheiro metalurgista.

Se não existem as discussões dos problemas técnicos de forma coletiva (isto sem falar, que a maioria das montadoras, já não tem mais o “engenheiro de parafuso”que distanciou ainda mais os usuários da tecnologia), e os fornecedores também não têm mais intercâmbio tecnológico, pergunto: onde está a tecnologia?

RP – Quais foram os maiores impactos que você testemunhou na indústria da fixação mundial?
SZ – Os principais impactos que vi foi a falência das empresas de capital aberto contra as familiares; a lei Antidumping europeia, o risco das aciarias perderem o interesse em fazer aço para parafusos e a falta de uniformização tecnológica.

RP – O que precisa ser melhorado para as empresas se manterem competitivas neste meio?
SZ – Ações dirigidas, a exemplo do que estamos preparando com a SAVE Informática, para lançar um software específico para o mercado de distribuição e fabricantes de fixadores – um ERP normalmente composto de módulos (contabilidade, engenharia, qualidade, planejamento de produção, compras e vendas), que permite o usuário de gerir as atividades da sua empresa, que funcione, pois foi escrito com base nas experiências práticas de técnicose engenheiros que trabalharam, e ainda exercem funções em empresas deste setor.

Trabalhos com as associações de classe, criando estatísticas sérias que permitam dirigir investimentos e proteger o mercado local, tarifas que inibam o dumping, centros de desenvolvimento técnico, certificações feitas em conjunto com as montadoras para criar uma filosofia de fixadores, seminários anuais, como os que a ITF* fez na década de 1980.

RP – Comente o seu ponto de vista, em relação às empresas do exterior sobre o Brasil? Pode citar um exemplo?
SZ – Diversas empresas exportam seus produtos para o Brasil diretamente aos usuários, e agora, está ainda mais atraente, devido aos aumentos dos volumes e a valorização do Real. Outros motivos que levam as empresas do exterior a pensar em investir no Brasil são:

• Os clientes querem cada vez mais que seus fornecedores sejam globais, e isso em minha opinião, é um erro primário, pois hoje em dia, a localização faz muito mais sentido que a globalização;
• Pouca disponibilidade de provedores logísticos;
• Profissionalização nas relações cliente x fornecedor. No exterior, se o cliente quer desenvolver um fixador, ele firma um contrato, que garante o investimento do produtor ou a compra do fixador por certo tempo, ou pagamento de royalties, caso o cliente decida por outro fornecedor. Porém, existem também vários obstáculos que têm segurado os investimentos:
• Altos impostos;
• Falta de um software brasileiro para as áreas: contábil, EDI – correio eletrônico onde o cliente informa as quantidades que necessita e a que tempo – , relatórios, controles por peso, quantidade e valor, e traceabilidade.  Segurança, variação cambial e remessa de lucros.

RP – Que tipo de empresa recorre aos seus serviços?
SZ – Qualquer empresa de fixadores que requer desde uma pesquisa de mercado, até um plano de investimento, passando por seleção de local, contratação e treinamento técnico de pessoal, identificação e avaliação de fornecedores, treinamento em todos os níveis, lançamento de produtos, planejamento de gestão, estratégias de mercado, implementação de programas logísticos, importação e exportação de produtos.

RP - Quais as novidades que traz ao mercado nacional?
SZ - A maior novidade é o primeiro software brasileiro para as empresas que produzem fixadores. É impressionante, como as indústrias no Brasil operam com três ou quatro sistemas independentes e adaptados.
O descontrole dos PCP’s (Planejamento e Controle de Produção), a falta de relatórios gerenciais, e o que é pior, a falta de atualização do software com relação ao crescimento que todas essas empresas tiveram nos últimos dois anos.

*O ITF foi o primeiro Instituto de Tecnologia de Fixadores criado nos anos 1980 pelos ex-diretores da Metalac Julio Milko e Leo Braun, uma entidade sem fins lucrativos e nem comerciais com o intuito de desenvolver e divulgar as tecnologias


Serge Zerey
serge@viticon.com

 

 

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