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Entrevista
20/04/2022 02h38

Entrevista

Phil Matten, diretor da BIAFD

O ex-editor da Fastener + Fixing Magazine fala sobre o clima vivido na Europa depois da elevada sobretaxa aplicada sobre fixadores produzidos na China 

Antes de irmos ao ponto chave desta entrevista, queremos lembrar que em 24/11/2010 a SurTec, indústria de produtos galvânicos, realizou um encontro chamado “Indústria Automobilística: Tendências e Sustentabilidade do Tratamento de Superfície”, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, capital. Como estávamos cobrindo o evento (publicado na edição RP25: www.revistadoparafuso.com.br/v1/ modelo/noticia.php?id=392), precisávamos na mesma tarde receber nos bastidores do evento a brasileira Candyce Costa, executiva da Mack Brooks Group (UK), que prospectava o país para realizar a feira Fastener Fair Brasil. Com ela estava Phil Matten, editor-chefe da Fastener + Fixing Magazine (F+FM), revista ligada ao grupo.

Tempos depois, em março de 2012 encontramos Phil na feira de fixadores Taiwan International Fastener Show, quando ele sugeriu o intercâmbio de notícias entre a F+FM e a Revista do Parafuso, surgindo assim a seção “Europa News”. Na F+FM nossa coluna leva nome de “Brazilian News”, seção adotada por outras revistas internacionais, como EUA, China, Índia, Itália, Taiwan e Turquia.

Phil nos abriu amplas oportunidades de conhecimento e interação.

Desde outubro de 2020, ele se aposentou da F+FM, onde ainda publica artigos, tornando-se diretor da British & Irish Association of Fastener Distributors, BIAFD, associação britânica e irlandesa dos distribuidores de fixadores.

A entrevista a seguir brotou, principalmente, em meio ao elevado nível de trepidação nos sistemas de fixação das regras no mercado de parafusos e afins, mais precisamente no processo de sobretaxação em fixadores “Made in China”, medida adotada desde 17 de fevereiro de 2022. Boa leitura!

RP: Considerando a “alta temperatura em pleno inverno europeu”, confirmada a aplicação das elevadas sobretaxas de até 86% em parafusos e similares de fixação chineses, essas medidas antidumping adotadas pela União Europeia (UE) não afetarão o Reino Unido, correto?

Phil: Sim, correto. Desde que deixou a UE, o Reino Unido utiliza políticas próprias, independentemente de remédios comerciais e órgãos de investigação, chamados de Trade Remedies Authority”. Isso significa que o antidumping da UE não se aplica às importações para Inglaterra, País de Gales e Escócia (Grã-Bretanha - GB). Dessa forma, importadores britânicos não pagarão sobretaxa alguma sobre esse antidumping.

Por outro lado, existe uma situação especial para a Irlanda do Norte. O acordo Reino Unido-EU, chamado Protocolo da Irlanda do Norte, estabelece que as importações para a Irlanda do Norte estão sujeitas a remédios comerciais da UE, de modo que os importadores pagariam as taxas sobre os fixadores originários da China. Nisso se inclui a compra de fixadores chineses de atacadistas na GB. Quanto à Irlanda do Sul, obviamente, por ser ela fazer parte da UE, aplica-se o mesmo.

Então, os três países britânicos fora da UE podem continuar comprando da China sem essas sobretaxas e revender à vontade?

Sim, mas o importador da EU que comprar, por sua vez, não escapará da sobretaxa. De acordo com o Acordo de Comércio e Cooperação entre o Reino Unido e a UE (adotado na finalização do Brexit), é obrigatório que o exportador do Reino Unido declare com precisão a origem de suas mercadorias.

Dessa forma, o regulamento antidumping da UE será aplicado a esses mesmos fixadores, originários da China. E não importa de qual país eles são expedidos, pois, o importador ainda será responsável pela sobretaxa. E isso também vale se os fixadores chineses fossem enviados do Brasil para a UE.

Se o importador do Reino Unido declarar incorretamente o país de origem do produto, tal ação será considerada uma violação de nossas regras alfandegárias, portanto, sujeita a investigação e sanções neste país. Não estaria sujeito a quaisquer sanções da UE.

Sabemos que empresas chinesas estão explorando a possibilidade de usar o Reino Unido como atalho, e contornar esse antidumping.

Associação de distribuidores na qual sou diretor, a BIAFD tem alertado seus membros sobre esses perigos. Esperamos que essas empresas tomem conhecimento e não cedam às tentações de se envolver nisso, o que lhes causará grandes danos.

Uma coisa é certa, desde o Brexit as autoridades alfandegárias da UE vem monitorando cuidadosamente importações do Reino Unido. Com o antidumping entrando em vigor, as alfândegas da União estarão ainda mais vigilantes.

Na edição 133, janeiro 2022, da Fastener + Fixing Magazine (www.fastenerandfixing.com, págs. 102-133), foi publicado o artigo “Circumvention will not work - be warned”, no qual faço um alerta aos importadores da UE sobre os riscos de se envolverem em evasões. Da última vez que a UE aplicou direitos antidumping, isso custou aos importadores dezenas de milhões de euros em direitos retroativos, quando as autoridades identifi caram mercadorias que haviam sido burladas.

Obs.: As medidas adotadas deverão vigorar por cinco anos, podendo, então, passarem por reexame de caducidade, e que pode se estender, durando até onze anos. Informações mais detalhadas podem ser consultadas em: https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/PDF/?uri=CELEX:32022R0191&from=DE

Phil Matten
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