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contato
Entrevista
29/05/2020 06h41

Entrevista 

De forma coletiva, trazemos aqui depoimentos de grandes líderes na fabricação de fixadores no Brasil

Sob duas questões, cada entrevistado descreveu o que vem sendo adotado em suas empresas e como projetam a recuperação dentre tantas incertezas 

Bem, o assunto de fundo é o que todos sabem, a Covid-19, na qual nove diretores líderes gentilmente atenderem nosso convite para expor como cada um deles têm lidado com esse cenário inédito e turvo, digno de uma daquelas grandes produções cinematográficas. Porém, é tudo muito real, e em plena era em que virtual é um termo tão dominante.

Esse terreno incerto, e de dor, fica muito fértil para previsões escatológicas. Na condição de mídia recebemos inúmeras sugestão de pautas, muitas delas retratando os piores cenários, como se nós já não soubéssemos. São análises do tipo "o PIB vai cair 5%" ou "vai cair 10%, mas pode piorar”.

No entanto, expor do ponto de vista prático como tem se dado a manutenção das empresas em meio a tudo isso e como agir para alcançar alívio e recuperação é o que realmente importa, e é o que buscamos nessa inédita entrevista coletiva, sob duas questões:

1) Por onde e como sua empresa começa essa nova era?

2) Quando e como alcançaremos o alívio mínimo?

1• Uma “nova era” refletia o surgimento de sistemas inovadores, em tecnologia e outros, e que impactariam mercados e pessoas. Mas essa "nova era", primeiramente, nos impôs adotar ações corretivas e preventivas, rápidas e drásticas, na preservação e administração de recursos humanos, financeiros e patrimoniais, respeitando leis públicas e, acima de tudo, o bom senso. Medidas como a flexibilização trabalhista permitiu à New-Fix a manutenção de grande parte dos empregos, tal como a alteração da carga horária entre 50% a 20%. Não tivemos paralisação total da produção, mas de forma cautelosa inviabilizamos aglomerações reorganizando refeições e cafés, medimos a temperatura corporal de todos, além de ampliarmos o uso de EPIs, álcool gel e demais.

2• Vemos a politização da pandemia turvando a adoção de diretrizes baseadas em metas e prazos. O radicalismo entre os Poderes e as redes de notícias têm fomentado incertezas, reduzindo o otimismo quanto ao tempo para retorno das atividades no nível anterior a março. Como o primeiro trimestre de 2020 ia bem, esperançosos fizemos substanciais investimentos para atender a demanda, mas é algo que será útil posteriormente.

Cremos que nos próximos meses haverá um pouco de lentidão considerando fatores como a dificuldade dos nossos clientes com seus controles do fluxo de caixa e, sobretudo, com inadimplência e prorrogações de títulos. Mas, se não houver mais nenhum desvio, as atividades poderão estar próximas do razoável em três meses, com a recuperação total demandando dois anos.

Enéas H. Oliveira
New-Fix Ind. de Rebites e Parafusos Ferraz de Vasconcelos, SP

 

1• Primeiramente, readequamos nossa produção na base de 70% do que havíamos programado para esse exercício. Paralelamente, por conta do câmbio, diminuímos nossas importações de 30% do faturamento total para cerca de 15%.

2• Por sorte, havíamos investido cerca de US$ 1,6 milhões em equipamentos para completarmos algumas insuficiências de produção, como equipamentos para a produção de ponta-broca, porcas, barras roscadas e rebites de repuxo, entre tantos outros. Com isso acreditamos na possibilidade de uma saída dessa crise antes que alguns dos nossos concorrentes. A grande expectativa na Jomarca é que entre a segunda quinzena de junho e meados de julho já estaremos próximos a uma quase normalidade, entre 80 e 90% do normal". 

Ricardo M. Castelhano
Jomarca Ind. de Parafusos Guarulhos, SP

 

1• Difícil prever qualquer coisa diante das crises que vivemos: Covid, política/econômica. Começamos aqui, na Metalac SPS, tentando dimensionar os impactos disso tudo na indústria, no médio prazo. Ajustamos nosso quadro de funcionários e implementamos jornadas reduzidas, conforme MPs com base nesse dimensionamento. 2• Acreditamos que as grandes oportunidades para nós, indústrias de parafusos e similares, virão das recentes altas do dólar, o que deverá elevar substancialmente as demandas de nacionalização de produtos. Trabalhamos hoje com expectativa em um retorno gradativo das montadoras a partir de junho, imaginando que a partir de setembro nossas operações estarão em um nível 30% abaixo do que estávamos no período pré-Covid.

Rodrigo Egêa
Metalac SPS (PCC Carparts, EUA) Sorocaba, SP

 

1• Bom, onde (re) começamos é praticamente do zero. Bem menores em tudo. Faturamento, lucro e perspectivas positivas futuras. Tudo que vínhamos fazendo teve que ser modificado. As relações entre clientes, fornecedores e terceirizados foram drasticamente alteradas. Priorizamos a não demissão, no caso, o custo social e com isso também nós nos redescobrimos como empresa. Enxugamos gastos internos ao extremo. Renegociamos a quantidade de insumos e matéria prima. Diminuímos o desperdício em todas operações, já extremamente monitoradas antes da Covid-19. Ficamos mais ágeis e com enorme flexibilidade de produção o que nos tornou mais rápidos nas entregas. O home Office se mostrou muito eficaz e ajudou os colaboradores na quarentena. Mantemos um comitê de crise que monitora quase que diariamente dados financeiros e assuntos pertinentes a produção e EDI de clientes. Enfim, a Covid-19, estabeleceu novos parâmetros de administração que certamente continuarão a ser usados mesmo na pós-descoberta da vacina.

2• Difícil dizer quando atingiremos enfim o alívio mínimo. Já consideramos 2020 totalmente perdido. Mas poderá ser em 2021, desde que haja por parte das cias automotivas, sistemistas, e outras que englobam a cadeia produtiva, a compra de seus insumos localmente. Não creio que seja o suficiente, mas garantiria empregos, manteria consumidores ativos e aumentaria a velocidade da recuperação total, que acreditamos será em três a cinco anos. Logico, e não menos importante, a disposição do governo em ajudar nessa difícil tarefa, sendo via BNDES, sendo no investimento maciço na infraestrutura, na redução da carga tributária e, muito importante, na redução de suas próprias despesas. O congresso deve fazer sua parte votando para desburocratizar esse sistema engessado e ultrapassado que se mantém para benefícios deles próprios. O Estado precisa urgentemente reduzir seu tamanho e sua influência na vida do cidadão, para que ocorra de forma rápida a retomada tão necessária. Lamentavelmente até lá, muitos ficarão pelo caminho...

Peter Hassmann
Metalúrgica Hassmann S.A. Imigrante, RS

 

1• A Böllhoff é uma empresa alemã com 143 anos de existência sendo 55 anos no Brasil. É possível afirmar que o atual momento é um dos mais desafiadores em toda a história da Böllhoff. Ainda teremos muito trabalho para estabilizar nossa operação; o cenário está complexo. Estamos preparados para mergulhar na nova dinâmica dos negócios pós-Covid. Entendemos que haverá mudanças profundas na cadeia de fornecimento e na relação com os nossos clientes. Essa é a nova realidade de incertezas, desafios e oportunidades. Já vínhamos trabalhando conceitos de agilidade e excelência em atendimento que agora estão sendo colocados à prova.

2• Planejamos que o ponto de inflexão para a retomada de negócios será em Set/20. Mas isso só será possível se tiverem ações coordenadas de combate a Covid-19 dos governos federais, estaduais e municipais. Acreditamos que confi ança da população e da indústria virá somente após terem segurança na área da saúde. Isso é mandatório para o retorno do consumo em massa.

Flávio Silva
Bollhoff Service Center Ltda. Jundiaí, SP

 

1• Primeiramente, com os pés no chão. Ficou provada a importância das estratégias adotadas pela Fey ao longo desses 54 anos de história, sempre buscando investir com recursos próprios e manter a riqueza gerada dentro da empresa. Isso é um diferencial competitivo em tempos difíceis como este, tanto que investimentos vitais para o crescimento foram mantidos. Para tanto, nosso plano de guerra contra a Covid-19 é árduo, está "machucando", mas certamente nos fará mais fortes no pós-crise. Todos projetos de redução de custos foram priorizados, enquanto projetos sem impacto direto foram postergados. A jornada de trabalho foi reduzida para evitar demissões em massa, atitude dura, mas necessária para a saúde da empresa e a manutenção dos empregos.

2•Algo que nos causa ceticismo nos próximos meses é termos que lidar com uma crise política que parece interminável, em plena crise mundial de saúde. Esses são tempos de planejamento de curto prazo; de brigas diárias pelo fluxo de caixa. O pensamento de que "lá na frente lidaremos com o lucro" domina a realidade atual. Infelizmente, portas se fecharão para muitos, mas para outros se abrirão. Como crises abrem oportunidades, esperamos estarmos preparados para abraçá-las junto aos nossos clientes. Algumas tendências de mercado, até então adormecidas, podem abrir portas de forma antecipada. Nesse sentido, a Fey está preparada e com uma equipe forte e, acima de tudo, alinhada com os valores que nos trouxeram até aqui.

Ricardo Fey
Metalúrgica Fey Indaial, SC

 

1• Tem sido um parêntese doloroso e pesado para todo o sistema econômico global, que evidenciou ainda mais seus problemas estruturais. É claro que agora devemos deixar rapidamente para trás esse "vale" de 2020. Mas haverá consequências porque o consumo diminuirá ao menos ao longo de 2020. Precisamos recuperar a consciência de como o mercado consumidor se moverá e, consequentemente, nossos clientes e para isso os canais de comunicação com os clientes e fornecedores é imprescindível e foi reforçado para, constantemente, atualizarmos os cenários e refletir em nosso planejamento. Criamos uma força-tarefa que avalia diariamente a situação e implementa ações para conter custos e salvaguardar a segurança de nossos colaboradores. Estamos prontos para retomar gradualmente o nível anterior, mas isso não será imediato. Precisamos de visibilidade e de certezas.

2• Em todo o mundo, os hábitos das pessoas estão mudando, cada um de nós pode fazer a diferença adotando as precauções adequadas, como o uso de máscaras e o distanciamento social. No curto prazo, o melhor é esperar um futuro sem recaídas com uma recuperação possivelmente mais rápida que o esperado.

Alberto Fontana
Acument Brasil Sist. de Fixação (Grupo Fontana, Itália) Jarinu, SP info@fontanagruppo.com

 

1• Desde o primeiro momento, a Ciser promoveu uma série de ações visando, primordialmente, a saúde e o bem-estar dos colaboradores, e, ao mesmo tempo, auxiliar os clientes da melhor maneira. Para reduzir o número de colaboradores em atividade, organizamos um plano de férias, adotamos o home-office e estabelecemos rodízio das equipes, a fim de preservar os níveis necessários de atendimento aos clientes. Na produção, priorizamos o atendimento às empresas fornecedoras de hospitais de campanha e manutenção de hospitais. Gerenciamos entregas e negociações com transportadoras. O contexto da pandemia nos levou a repensar o próprio modelo de negócio, aprimorando processos e reavaliando a cadeia de suprimentos.

2• Tomamos inúmeras providências e nos preparamos para este momento. Como outras empresas, também tivemos problemas, porém, como agimos rapidamente, o impacto foi menor. Assim que a crise passar, sairemos prontos para atender ao mercado com todo o nosso portfólio.

Renato Fiore
Ciser Parafusos e Porcas Joinville, SC

 

1• Mercado em franca recuperação e extraordinário sucesso em nossa feira BELSHOW; era começo de março de 2020 e todos os vetores apontavam para um ano fantástico. De repente, nos deparamos com a chegada da pandemia no Brasil e a necessidade do isolamento social. Imediatamente vieram os cancelamentos de pedidos acompanhados de significativa queda nas vendas e um brutal aumento na inadimplência. A ação imediata foi o cuidado com a saúde da equipe, distribuindo e obrigando o uso de máscaras para todas as pessoas dentro da empresa, álcool em gel nas mesas, aferição da temperatura dos funcionários no início e no término de cada turno de trabalho, além de outras providências. Optamos por não fazer demissões, preservando empregos e, para isso, colocamos grande parte dos colaboradores em férias, reduzimos a jornada dos demais em 25% e instituímos home office para alguns segmentos e grupos de risco.

2• Com todas estas dificuldades, fomos forçados a ousar, fazendo experimentações e buscando novos caminhos. Muitos deles se mostraram irreversíveis e farão parte de uma nova Belenus mais ágil, leve e preparada para enfrentar os desafios desta retomada das atividades, que acreditamos será lenta e gradual nos próximos meses.

Ezio Ruocco Jr.
Belenus do Brasil Ltda. Vinhedo, SP

 

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