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Entrevista
30/10/2009 03h59

  Presidente da Abifer fala sobre expansão da malha ferroviária no Brasil

 Em 30 de abril de 1854 foi inaugurada a primeira ferrovia no Brasil, feito realizado pelo empresário, banqueiro e político Irineu Evangelista de Sousa (1813- 1885), o Visconde de Mauá. Seu trecho inicial tinha 14,5 km, ligando o Porto de Mauá a Fragoso, no Rio de Janeiro. Hoje, o modal ferroviário, visivelmente abandonado ao longo das últimas décadas se encontra numa fase de revitalização.

Por esta razão, conversamos com Vicente Abate, presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), que falou sobre os anos de “inércia” no setor, sua retomada de crescimento e expansão para os próximos anos no Brasil. Ressaltou que com base na malha ferroviária já existente e os projetos que já estão previstos para esta expansão, o meio ferroviário terá fortes investimentos, sendo um mercado promissor para indústrias e revendedores de elementos de fixação.

Revista do Parafuso (RP): Qual sua visão geral do setor ferroviário no Brasil e no mundo?    
Vicente Abate (VA): Até a década de 50, o setor ferroviário era forte no País. A partir dessa época, o setor rodoviário começou a receber mais investimentos e o setor ferroviário ficou em segundo plano, durante muito tempo. O Governo Federal ainda investiu nas ferrovias na década de 70, e após isso elas foram se deteriorando. Na segunda metade da década de 90, o transporte ferroviário de cargas foi concedido à iniciativa privada e a partir de 1997 começava o processo de revitalização, responsável pelos investimentos de R$ 20 bilhões até 2008 pelas concessionárias em todo o País.

Na área de transporte de passageiros, os serviços prestados são feitos por empresas estatais em todos os estados brasileiros, com exceção do Estado do Rio de Janeiro. O Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, no Plano Expansão SP está investindo R$ 20 bilhões (entre 2007 e 2010), além de R$ 1 bilhão por parte da Prefeitura de São Paulo, que ajudarão na extensão de linhas do metrô, reformas e aquisições de carros e revitalização da CPTM. Em outros estados da federação também ocorrem investimentos no transporte de passageiros, como no Rio de Janeiro, Brasília (DF), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).
 
A partir de 2010, independentemente de quais sejam os representantes do Governo Federal teremos mais R$ 21 bilhões para investimentos em linhas de Metrô e VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos) nas capitais que serão sedes da Copa do Mundo de Futebol. Enfim, é um setor muito promissor e que contribuirá muito para o desenvolvimento do nosso País. Para os próximos 15 anos, o transporte de cargas no setor ferroviário deve receber R$ 148 bilhões para a sua expansão, valores que estão previstos dentro do programa do Ministério dos Transportes - PNLT (Plano Nacional de Logística e Transportes).
 

(RP) Qual o tamanho da malha ferroviária no Brasil, incluindo o metrô?
VA: Temos 29 mil quilômetros para transporte de cargas, que na verdade considero muito pouco ainda. Na América do Norte temos 250 mil quilômetros. A Argentina tem mais de 30 mil quilômetros, mas a sua malha ferroviária está muito deteriorada em comparação ao nosso País, que teve mais ações de manutenção nos últimos anos. Atualmente, no transporte de passageiros temos entre 700 e 800 quilômetros de extensão. No caso de São Paulo teremos 240 quilômetros de metrô com a finalização do projeto Expansão SP e mais 140 quilômetros até 2014. Estaremos comparáveis a Paris (França) que tem 400 quilômetros de linhas de metrô e Coréia do Sul que tem 360 quilômetros.
 
(RP) Quanto corresponde em transporte de carga e pessoas a cada ano?
VA: O volume de cargas transportadas está aumentando a cada ano de forma significativa, depois dos investimentos das concessionárias realizados na manutenção de via permanente, compra e modernização de equipamentos desde 1997. A previsão para esse ano é de 492 milhões de toneladas de cargas transportadas. Em 1997, esse valor era de 250 milhões de toneladas. No quesito passageiros, nos 15 sistemas de linhas de transporte, chegaremos à marca de 2 bilhões de passageiros transportados em 2009.
 
(RP) Para esta expansão o Brasil tem mão-de-obra, fornecedores de materiais e tecnologia suficiente para atender às suas necessidades? As empresas que resolverem apostar neste setor ferroviário terão suas expectativas atingidas?
VA: Sim, temos tecnologia e mão-de-obra suficientes. Na época em que o transporte de cargas estava atravessando um período de deterioração, entre as décadas de 80 e 90, as indústrias que mantiveram suas equipes conseguiram chegar em condições para atuar nesta nova fase do setor. Enfim, as empresas que já prestam serviços, assim como as que pretendem atuar nele terão retorno garantido e suas expectativas atingidas.
 
 
(RP) Fale sobre os anos de “inércia” do setor no Brasil, sua ascensão e sobre este novo momento no Brasil.
VA: Em relação ao transporte de cargas, as indústrias fabricaram apenas 300 vagões em 2002. A partir de 2003 tivemos um “boom” ferroviário com a produção de 2.400 novos vagões, sendo uma conseqüência da demanda reprimida e do Plano de Revitalização das Ferrovias lançado pelo Ministério dos Transportes. Em 2004 foram mais de 4.700 novos vagões; em 2005 tivemos a melhor produção de quase 7.300; em 2006 foram mais 3.700, em 2007 alcançamos a produção de 1.300, em 2008 mais 5.100 e neste ano prevemos somente a fabricação de 1.000, devido à crise mundial, mas em 2010 esta produção para o setor de cargas deverá ser de 2.000 unidades. A nossa expectativa é atingir um nível de produção estável, a partir de 2011, entre 3.000 e 4.000 novos vagões por ano.
 
(RP) Quais são os principais investidores que apostam no setor ferroviário hoje, entre empresas, órgãos privados e bancos?
VA: Um de nossos principais aliados é o BNDES. O Governo Federal também tem dado apoio, assim como nosso Legislativo. As concessionárias privadas têm investido e garantido crescimento nos volumes de transporte.
 
(RP). É possível o senhor fazer uma breve comparação do setor nos EUA, China e Argentina tendo como base o Brasil?
VA: A China tem 80 mil quilômetros de linhas, entre cargas e transporte de passageiros com previsão de aumento de 50% de extensão no período de quatro anos. A índia tem 63 mil quilômetros de linhas ferroviárias. Como já dito, o Brasil tem atualmente 29 mil quilômetros de extensão no setor ferroviário de cargas e a previsão de investimentos em ferrovias, como a Transnordestina, Ferronorte, Norte-Sul, Oeste-Leste e Ferroeste. Daqui a 10 anos poderemos alcançar a marca de 40 mil quilômetros de linhas e até 2025 prevêem-se mais 10 quilômetros.
 
(RP). Como as empresas no Brasil podem ingressar neste tipo de fornecimento, sendo que em nosso caso temos os fabricantes de tirefonds (tipo de parafuso para trilhos) e de uma imensa gama de parafusos e similares?
VA: O setor ferroviário continuará a ter um investimento forte. Posso afirmar que haverá espaço para todos. É um mercado promissor para esses fabricantes. No caso do Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, serão necessários elementos de fixação especiais, o que será um desafi o para as empresas do setor. Há previsão para a construção de linhas para São Paulo a Curitiba (PR) e São Paulo a Belo Horizonte (MG). Na verdade, os trens de alta velocidade serão uma forma de desafogar os aeroportos, um setor que já enfrentou períodos de atrasos e “apagões”.

(RP) Fale sobre a importância, situação e alguns números sobre as Ferrovias Transnordestina e Norte-Sul
VA: Entre construção e revitalização, a Transnordestina terá cerca de 1800 km de extensão, em que teremos uma ligação entre o Porto de Pecém – Ceará indo até o Porto de Suape, localizado em Pernambuco. No caso da linha Norte-Sul temos uma extensão de 720 quilômetros que serão finalizados até o 1º trimestre de 2010 e que ligará Açailândia (MA) até Palmas (TO), sendo uma subconcessão da empresa Vale. No trecho Sul temos a previsão de mais 800 quilômetros de ferrovias que serão construídas desde Palmas (TO) até Anápolis (GO), com previsão de entrega para o final de 2010 totalizando 1500 quilômetros do Maranhão até Goiás.
 
Para o futuro, a previsão é que a Ferrovia Norte-Sul se estenda até a cidade Estrela do Oeste no Estado de São Paulo, interligando praticamente toda a malha ferroviária brasileira, do Sudeste até o Norte do País. Vale acrescentar aqui, a futura construção da Linha Oeste-Leste com previsão de 1.500 quilômetros que ligarão Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO) na Ferrovia Norte-Sul. Enfim, temos diversas outras linhas que estão em estudos no País e que devem sair do papel nos próximos anos, totalizando mais de 10 mil quilômetros que serão construídos até 2018, potencializando o setor ferroviário no Brasil.

 

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